quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Construção

As proparoxítonas sempre foram as mais isoladas de todas. Enquanto todo mundo ralava pra decorar as regras de acentuação das oxítonas e das paroxítonas, as Propas (como carinhosamente as chamarei daqui pra frente) sempre foram deixadas de lado. Todas são acentuadas, então se aparecer alguma pela frente é só colocar o acento lá na antepenúltima sílaba que tá tudo bem. Não só as Propas não atraíam simpatia de ninguém, também tinha muita gente que realmente não gostava delas, afinal, não é qualquer um que está disposto a sair engolindo um monte de sílabas depois da tônica só pra contentar uma classe de palavras. Passaram por várias reformas ortográficas, mas nunca chegaram a sugerir a retirada do acento das Propas (já que todas tem, que tire todas!) na esperança de que, simplificando, elas atraíriam mais fãs ou, ao menos, simpáticos a causa. E por muitos e muitos anos as Propas ficaram na periferia da Gramática.
Até que chega 1971 e as Propas são salvas. Sim, aquele sujeito de olhos azuis que encantava as mocinhas de sua geração (e se descobriu depois, das gerações seguintes) chega em seu cavalo branco para salvar todas as Propas em uma só espadada. Chico mostra que elas não só podem contar uma bela história, como podem dançar e trocar de lugar entre si sem perder seu lirismo. Não só a vida das Propas agora tem um sentido  como elas foram colocadas em lugar de destaque nesse mundo. Elas não precisam mais da nossa simpatia, elas estão lá em cima, nos olhando com pena enquanto procuramos por respostas. Elas já sabem porque existem, e você? Pra que veio ao mundo?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

enCanto.

Ela cantava e encantava. Literalmente. As pessoas se hipnotizavam pela sua voz a ponto de entrarem em transe. Não estou falando metaforicamente, a voz dela tinha algum poder sobrenatural de hipnotizar as pessoas. Como era uma menina muito tímida, só na adolescência que descobriram esse poder, todos sempre a julgaram como superprotegida e mimada que conseguia tudo o que queria, mas ninguém realmente entendia que era a voz encantada dela que manipulava as pessoas, conseguindo assim tudo que ela quisesse. Mas ela não era uma pessoa ruim, ela só queria ter uma vida normal e por isso nunca tinha usado seus poderes para ganhar dinheiro ou passar alguém para trás. Com seu amadurecimento, ela foi ganhando consciência sobre seu poder o que, apesar de não controlar, pelo menos ela sabia quando falar e quando não falar. Até que chegou aquela época onde você precisa ter alguém do seu lado. Ela não aguentava mais homens que faziam tudo pra ficar com ela, realizando todos seus desejos e vontades, já que nunca teria certeza se toda aquela dedicação era por amor ou efeito do encanto produzido por sua voz. Até que ele veio puxar conversa. Ela desconfiada, respondeu. Ele explicou que tinha ficado surdo em um acidente anos atrás. Ela não acreditou. Ele falou sobre como ele tinha aprendido a ler lábios. Ela pediu que ele fosse embora. Ele não foi. Ela se apaixonou.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

No supermercado.

Ele trabalhava num caixa de supermercado e via milhares de pessoas por dia. Alguns eram simpáticos, outros só queriam sair dali o mais rápido possível, ela parecia triste. Uma moça, não muito alta, carregando um vinho e um pote de sorvete, seus olhos inchados e vermelhos, esperava na fila. Ele passando os produtos do casal de velhinhos que estava na frente dela sem tirar os olhos dela. Nunca tinha visto alguém tão puramente bonita assim em sua vida e provavelmente nunca mais veria. Ela folheava uma revista ao lado do caixa enquanto ele passava o cartão de crédito do senhor, já impaciente com a displicência do atendente. Ela se aproxima e entrega o sorvete e o vinho. Ele balbucia "boa noite", mas nada sai de sua boca. O que ele realmente queria dizer era "Não se preocupe, eu nunca mais deixarei você sofrer. Acabou a dor agora, quanta sorte termos por ter encontrado um ao outro". Ele encarava ela enquanto pegava a nota de cinquenta em sua mão como se olhasse para a Lua em um sentimento de completa impotência e perplexidade diante da imensidão daquele satélite.
- Posso te ajudar em mais alguma coisa?
Sim, deixe ele te ajudar. Deixa ele te mostrar que o mundo pode ser melhor, que vocês podem crescer juntos, que sob a proteção dele tudo fará sentido. Dê a ele a chance de tornar sua vida melhor.
- Não, obrigada.
Ela pegou o troco, a sacola com o vinho e o sorvete e foi embora. Ele via ela se afastar em direção a porta, sem prestar atenção ao próximo cliente a ser atendido. Até que ela saiu do seu campo de visão e tudo acabou. Novamente, ele só trabalhava em um caixa de supermercado. Sem grandes ambições. Sem grandes aventura. Sem grandes paixões.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Despedida.

Eles sentaram e viram o pôr-do-sol. Era a última tarde juntos. Ele, todo sentimental, fazia promessas de que nunca se afastariam, ela sabia que a distância física significava muito mais do que ele queriam aceitar. Ela preferia nem estar ali, se despedir era só mais uma tortura imposta pela sociedade, também nunca achou o pôr-do-sol tão bonito assim. E ele, cheio de lágrima, falava em como aqueles anos foram os mais intensos da vida dele, pensando que se ela ia embora, o Sol não precisava mais voltar também.Ela olhava para o horizonte, evitando encará-lo, ouvindo ele falar alguma coisa sobre o dia que se conheceram enquanto beijava sua mão e chorava copiosamente. Ela pouco entendia. Ela não estava feliz por partir e ele não estava facilitando as coisas. A cena continuou até o embarque na rodoviária: ele relembrando do passado enquanto ela olhava atônita para o nada. Ela entrou no ônibus enquanto ele gritava do lado de fora que escreveria todos os dias para ela. Ela só olhava pra ele. Ele que tinha feito tanto por ela, que tinha aberto mão de tanta coisa. O ônibus se afastava. Ele que tinha proporcionado a ela os melhores momentos de sua vida, e ia diminuindo aos poucos em sua janela. O ônibus fez a curva, e agora ela já não o via. E de repente ela chorou. Chorou como nunca tinha chorado antes. Ele, sentado no chão da rodoviária, não tinha mais suporte. Ela, sentada na poltrona do ônibus, não tinha mais razões.

sábado, 31 de julho de 2010

A Vingança

Ele foi traído e queria vingança. Fazer o mesmo não adiantava, ela tinha que sentir o que ele sentiu e ficar "tudo igual" não era seu objetivo. O sentimento tinha que ser o mesmo. Aquela sensação de perder o chão, de levar uma facada da única pessoa em que confiava virar as costas, ela tinha que perder, assim como ele perdeu, noites em claro imaginando o porquê dele ter feito isso. Chorar até perder o ar ou se desitratar, enquanto gritava no travesseiro para não incomodar os vizinhos. Refletir sobre tudo de bom que eles passaram juntos, tudo jogado no lixo por causa de um simples ato. Um ato que poderia ter sido evitado, conversado. Um ato impulsivo, algo de momento que terá reflexo sobre o futuro dos dois. Mas o que ela tinha feito não tinha perdão. Não tem como voltar atrás, desfazer. Quanto mais ela se dizia arrependida, mais malígna eram seus planos de se vingar. Ele não tinha medo do que os outros iam pensar, até porque não tinha dúvida que lhe dariam razão. Ele decidira: ia tatuar o símbolo do Timão no peito. Só aquilo para competir a altura a traição dela, de aparecer na casa do Marcão com o uniforme do Palmeiras depois do acordo de não manifestar sua preferência em público. Quando se casaram, combinaram de nunca dizer em público para qual time torcem para evitar discórdias, se ela tinha rompido esse primeiro trato, ele já estava preparado para qualquer coisa.

Rádio Cowboy #4

Alô você que estava com saudades do melhor podcast de toda interweb, estamos de volta com a 4ª edição do divertidíssimo Rádio Cowboy! E o convidado de hoje é o amigo Francis Leech, famoso videologger e ex-Réu & Condenad, dê o play aí na sua casa e curta nossos comentários sobre as músicas e artistas mais bacanas do momento (ou não, já que nosso déficit de atenção reina nessa edição).



Segue a lista de música que você vai cantarolar essa semana:
Arctic Monkeys - I Bet You Look Good On The Dance Floor
Forgotten Boys - Just Done
RPM - Rádio Pirata
The Mission - Severina
Valentina - Flashback
Shaggy - It Wasn't Me
Rock Rocket - Puro Amor Em Alto Mar
Foo Fighters - The Pretender
The Pixies - Where Is My Mind

Clique aqui se você quiser baixar e colocar no seu iPobre: Rádio Cowboy #4
Clique aqui e vá até a página de youtube do Francis!
E comentem, seus putos!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Detetive Carlos

Carlos era detetive. Detetive Carlos. Cansado de ser reprovado na prova da OAB, ele decidiu que queria um emprego maneiro. Depois de perceber que pra ser astronauta e piloto de fórmula dependia de muito mais coisas além dele, ele resolveu ser detetive. Convenceu seus pais a alugarem uma salinha em um prédio no centro da cidade, comprou uma escrivaninha, uma luminária, uma lupa e um adesivo escrito "Carlos Almeida - Detetive Particular" para colocar na porta. Anunciou em um jornal de pequena circulação na cidade e colou papéis em alguns postes. Passou as duas primeiras semanas investigando com sua lupa as infiltrações na sala que tinha alugado até chegar a conclusão de que precisava de uma linha telefônica. Telefone instalado, Carlos colocou um novo anúncio no mesmo jornal. No dia que o anúncio saiu, Carlos não saiu do lado do telefone. Ele não tocou. Carlos resolveu comprar uma poltrona para que ao menos pudesse dormir confortavelmente enquanto esperava seu primeiro cliente. Com a poltrona, o telefone e o adesivo na porta, com certeza surgiria algum cliente. E toda terça-feira Carlos colocava seu anúncio no mesmo jornal e passava o resto da semana esperando. Sua salinha já tinha tapete, quadros na parede, algumas esculturas e umas estante cheia de livros de direito penal e de sua coleção do Arthur Conan Doyle, já que seu dinheiro tinha acabado para comprar outros livros que os detetives usam (e ele também não tinha muita certeza de quais livros os detetives liam). Na falta do que fazer, começou a ler seus livros de detetive. Depois passou a ler seus livros de direito penal. Terminando todos, pegou todos seus livros de direito e releu. Refez a prova da OAB, passou e acabou sua carreira de detetive. Seus pais não importaram de sustentar seu escritório durante aqueles seis meses, o Carlinhos sempre foi daquele jeito: dava mil voltas, mas no fim chegava no seu lugar.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Analisando: Backstreet Boys- Bigger (Clipe)

Esse clipe que analisarei agora é da música que foi eleita (por mim) a melhor música da década de 10, mesmo ainda faltando 10 anos para que essa década acabe, não acredito que vá surgir alguma coisa melhor do isso aí daqui pra frente não.




Começa com umas placas em japonês, agora mostra os 4 lá atrás com uma japonesa vestindo essas roupas esquisitas que japoneses vestem (parece que eles colocaram a japa pra substituir o Kevin). Opa, mestre Brian, devidamente calvo e com cabelo descolorido mostra que alguém que não gostava dele escolheu sua roupa. Pernas da japa. Cara da Japa e Nick ao fundo (guardando uma leve semelhança com jude law). Brian de novo, na faixa de pedestre com mil japoneses correndo no meio da rua. Japonês num para de trabalhar nem pra gravar o clipe, né? Close no Howie D (o mais coadjuvante do grupo) e CARALHO, O AJ VIROU UM HOMEM BOMBA. Brian de novo, passam duas minas correndo atrás pra não sair na filmagem. Uma delas tá com máscara de respirar. ALÔ-OU, gripe suína é tão last year. Abre uma porta e descobrimos que a japa que tava lá no começo com eles é uma cafetina de empregadas domésticas e foi mostrar o produto pro pessoal. Essa outra que tá na frente dela é a mais requisitada porque é a única com orelhas de gatinho. BSB cantando na frente do relojão. Howie D chamando um taxi (a produção deve ter esquecido dele), mas ele tá feliz, afinal ganha o mesmo tanto de grana que os pricinpais. Relojão. Nick Carter tomando uma com os velhinhos. Geral numa daquelas casas de samurai em que o Tigre e o Dragão voa. Todo mundo no bordel TOMANDO CHÁ e sacaneando as putinhas-empregadas fazendo elas cantarem o lalalá. Nick mostra a sola do sapato dele. AJ com um oclão pra não ser reconhecido pela Imigração e Brian tenso. Nick faz um brinde pela seleção japonesa. Brian, sendo o menor indica que todo mundo é maior que ele. Coadjuvante. AGORA TODO MUNDO BALANÇANDO OS BRACINHOS! Japão, japão e AJ. AJ que sempre foi o mais estiloso, se mostra totalmente overdressed com essa combinação cavanhaque, costeleta e touca. Coadjuvante cantando no taxi pra passar o tempo. Galera sacaneando um japones. Nick mandando um pagodão na xícara e geral sacaneando um japonês que trabalha no karaoke. Todo mundo no karaoke, ê! Uma japonês de peruca, pijama e oculos escuros DANÇANDO ATRÁS DO AJ. Agora a japonesada do karaoke mandando o lalalá. Nick parece alguém que imita boy bands. Brian sentado na faixa de pedestre, achando que japonês é bagunça. Howie em sua chance de brilhar, mas chama uma japonesa pra dividir o microfone. Brian se revolta com o próprio visual e resolve trocar o lenço árabe dele por um gravata. Howie D sozinho fazendo um back maneiro porque ele chegou no lugar combinado com a produção e não tinha ninguém lá. Chá com bolo no puteiro. Nick olhando umas muambas. AJ, unico hétero dessa bagaça, coloca uma puta no colo pra ganhar bolo na boca. Pirando no karaoke, depois pirando no videogame. TODO MUNDO NO KARAOKE. AJ, que não é só um rostinho muçulmano, vai rezar pra Buda. Nick roubando um boné dum japonês. No chá, Ô! ÓIA O NICK CAINDO NO CHÃO, MALANDRO! Nick se levanta e fica pulando como se dissesse "to de boa, to de boa". Nick pede um churrasquinho de gato. Agora vai todo mundo pirar num aquario. As putinhas pirando no fim da música e a galera do karaole curtiu! YUHUL! NOTA DEZ!

Mas, o que rolou nesse clipe, né? A história é o seguinte, depois de dez anos parados (e com a saída do Kevin), os BSB já não pegavam ninguém, aí o que eles fizeram? Foram pro Japão contratar umas 20 prostitutas. Só que chegando lá, eles (com exceção do AJ) não deram no couro, então foi um puta dinheiro mal gasto. Saíram de lá e foram pro karaokê. Só que esqueceram o Howie D (que apesar de ser o mais antigo na banda, é um mero coadjuvante que ninguém lembra), que teve que ir de taxi. Depois do karaokê eles passaram no relojão pra ver que já era hora de voltar pros Estados Unidos e fim.

Blog: O Pai-Nosso Segundo Toscano (#SemanadoTerror)

São Google que estáis no céu.
Santificada seja vosso sistema de busca.
Venha a nós o trabalho pronto
E que seja feito à sua vontade.
A resposta pronta de cada dia, nos dai hoje.
Perdoai as nossas trollagens
Assim como perdoamos
A quem nos tem trollado.
Não nos deixei ser pegos na enrolação,
E livrai-nos dos professoresqueconferemseostrabalhosforamencontradosnoGoogle,
Amém.


Sei que já existem milhares de outras versões do pai-nosso pela internet e provavelmente alguém lerá essa versão por acaso e repassará e eu nunca serei reconhecido como autor dela, mas ela surgiu tão naturalmente que seria um pecado eu deixar de escrevê-la.

sábado, 5 de junho de 2010

Do topo

"Eu sei que nessa de ficar olhando os outros por cima, um dia eu vou cair. E quando eu cair, vou cair tão feio que vou demorar muito tempo pra me levantar. E, mesmo se eu conseguir me levantar, dificilmente eu chegarei ao patamar que eu estou agora. O segredo não é pensar no futuro, ter humildade pra que ainda gostem de mim quando eu estiver por baixo. O segredo é se manter em cima. Enquanto eu estiver aqui, eu estarei julgando e apontando dedos. Não tenho medo de perder esse poder, esse "status", muito pelo contrário. Abuso dele, mas vou me acostumando com a idéia de que um dia serei eu quem estará sendo julgado. Portanto, independente do que vocês, mortais, queiram que eu faça, eu farei o que eu quiser", ele disse.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Anti-Herói

Me falaram que agora o legal
Era pagar de ser o anti-herói
Daquele tipo o Clint era
Naquele filme de cowboy

Mas acho que não é meu tipo
Sair pra matar bandido
Com pistola e cara de mal
Aloprando em Chinatown

Ser abandonado pela mocinha
E ter problemas familiares
Ganhar meu dinheiro em rinhas

Só pra gastar em vários bares
E quando eu chegar em casa
Triste, escrever poesias.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Assunto Sério Sobre Star Wars.

SE VOCÊ NÃO ASSISTIU TODA A SAGA STAR WARS, NÃO LEIA ESSE TEXTO, CONTÉM SPOILERS MALDITOS.

Estava refletindo com minha namorada sobre qual seria a ordem certa de se assistir os 6 filmes de Star Wars. Essa conversa começou quando eu percebi que alguns fatos importantíssimos que acontecem nos três primeiros filmes (mas que cronologicamente acontecem depois), são revelados muito antes para quem assistiu os filmes na ordem "certa" (I, II, III, IV, V e VI). Vou me ater a algo bem simples e direto aqui para exemplificar o que estou dizendo: no final do Episódio Três nós sabemos que Anakin, já como Vader, tem dois filhos gêmeos: o menino é mandado pra crescer com os tios em Tatooine e a menina fica com o Senador Bail Organa, para que ambos crescessem longe da influência dos Siths. O problema é que ao assistirmos o Episódio IV, e encontramos Luke e Leia já crescidinhose lutando com os Rebeldes, já sabemos duas coisas: quem é o pai perdido do Luke e que os dois gracinha são irmãos. Coisas que só vão ser reveladas no fim do Episódio V e começo do VI! Vocês viram? O final do III acaba com o mistério principal do filme e pior, quando você encara Luke e Leia quase tendo um affair você pensa "PUTA QUE ME PARIU, O QUE O GEORGE LUCAS TINHA NA CABEÇA QUANDO ESCREVEU ISSO?", já que quando você só ficava sabendo que eles eram irmão mais tarde, você já tinha esquecido que eles quase se pegaram porque ela já tá dando moral pro Han Solo. Então, ficou decidido que pra você aproveitar 100% a sextologia, você deve ver os três primeiros filmes que foram feitos (Episódios IV, V e VI) pra depois ver o que aconteceu antes disso tudo (nos Episódios I, II e III).

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sobre Botar Fé e Outros Casos

As pessoas nunca botaram fé em mim. Não é algo de agora não, é algo que sempre aconteceu. As pessoas nunca acreditaram muito no meu potencial. O mais estranho é eu ter demorado até aqui, no meio dos meus 20 anos, pra perceber isso. Acho que eu sempre preferi acreditar em justificativas menos ofensivas, como pensar que era só porque não me conheciam direito, ou talvez o que eu estava me propondo era realmente grande demais.
Na minha vida de estudante (ensino médio, matemática e agora publicidade), sempre fui um dos melhores alunos (diferente de ser um dos mais aplicados) e ainda assim foram pouquíssimas vezes que alguém realmente me levou a sério. Se eu tiver uma lista de 5 professores que acreditavam em mim em toda minha vida, já seria muito. Minha coordenadora duvidava que eu passaria no vestibular pra Matemática enquanto já estava pensando no vestibular pra Publicidade do ano seguinte. Nunca duvidei de nenhum dos dois. Minha mãe me obrigou a fazer cursinho por seis meses (uma das maiores enganações ever, dormia de manhã no cursinho e de tarde na faculdade). Eu acreditava que eu era capaz e não entendia muito bem porque ninguém mais acreditava.
Também passei a vida inteira fugindo de cargos de importância. Meus amigos me indicavam pra uma coisa ou outra, e eu, sabendo que eu acabaria me envolvendo demais, declinava (existe esse verbo no português?). Até que chegando na faculdade eu me candidatei a Presidente da Comissão de Formatura. Meus pais riram quando eu os contei que tinha sido eleito. Sério. E não foi uma conversa informal, inclusive contei pra eles em momentos separados, e os dois riram em situações separadas. Até que veio nosso primeiro evento. E as pessoas gostaram. E o segundo evento, e as pessoas começaram a nos olhar melhor. Até o terceiro evento, quando elas realmente começaram a acreditar na gente. Ninguém nunca tinha feito algo dar certo por lá e a gente precisou de TRÊS eventos ótimos pra que COMEÇASSEM a acreditar na gente.
Eu conheci pessoas legais que me ajudaram muito nessa vida e sempre me dispus a ajudar quem eu conhecia também. Uma dessas coisas foi minha vida nos Rocks Goianos. Conheci gente que organizava show, gente que trabalhava em estúdio, gente que conhecia gente e gente que estava disposta a ajudar. Em todas as bandas que eu tive, elas só não deram certo porquw um ou mais integrantes dela não acreditavam que aquilo poderia dar certo. E não adiantava nada correr atrás de gravação, de show pra tocar, de divulgação se dois meses depois alguém ia pular fora.
E assim foi quando fui tirar um professor, fui comprar um videogame, fui fazer uma prova, fui tirar carteira de motorista, fui fazer amigos, fui consertar um computador e mais mil outras coisas que não pareciam nada impossível pra mim, mas que pra todo mundo era só um sonho na minha cabeça. Não lido muito bem com o fracasso (acho que já falei disso aqui em algum outro texto), por isso faço tudo para que as coisas dêem certo. Faço mil planos e me envolvo demais em cada um deles. Mas eu me envolvo, porque acredito que todos eles podem dar certo se eu tiver ânimo e tiver a ajuda dos que estão em minha volta. Só não queria ter que provar pra todo mundo que eu sou capaz pra cada coisa nova que eu tiver que fazer.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Filme

Ele sentou pra ver o filme, mas o filme parecia igual a todos os outros. Os atores realmente eram os mesmos e a história era aquela mesma de sempre. Ele queria aguentar, porque ele sempre tinha a esperança de que o final seria diferente e valeria por aquelas duas horas perdidas. Um copo de refrigerante e um balde de pipoca ajudavam a não pensar em nada durante o filme que a cada cena se tornava mais parecido com todos os outros. Seus problemas no trabalho, com sua família e com seus amigos não eram prioridade, tudo o que ele queria era que o filme acabasse e que, dessa vez, o final fosse outro, aquele que valeria pelo filme inteiro. Pausa pra ir ao banheiro. Enquanto o microondas estoura mais um pacote de pipoca, ele reflete se continua a assistir ao filme ou desiste de vez. Voltou pro sofá, o final daquele seria diferente e valeria a pena. Chegou em um ponto em que ele já conseguia prever as próximas cenas e até as piadas inseridas nos diálogos. Continuar a assistir seria burrice, mas a esperança falou mais alto. Esse teria o final que diferenciaria de todos os outros filmes. A pipoca acabou novamente, o refrigerante acabou e o filme caminhava pro final, considerando a movimentação conhecida dos personagens principais. Eles se declaram um para outro, tem uma grande festa onde todo o elenco do filme é convidado e acabou. Ele respira fundo e delisga a tv enquanto recolhe o resto de comida do sofá. O final era o mesmo mas ele já sabia. Só não queria aceitar. Semana que vem ele tentaria de novo. Iria a locadora e alugaria um filme qualquer. Ficaria horas encarando a moça que trabalhava lá, ensaiando diálogos imaginários para na hora de pagar engasgar e responder o de sempre. Aí assistiria o filme na esperança de que, na próxima vez que for na locadora, consiga dizer o que sente por ela, talvez até convidá-la pra sair. Mas no fundo, ele sabe que ele não vai conseguir, vai engasgar ou comentar alguma coisa estúpida sobre o tempo. Ele podia assistir o filme quantas vezes quiser, mas o final seria sempre o mesmo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Grande Demais Para a Caixa

Era grande demais pra guardar na caixa mas acreditava que todos reclamariam se ficasse ali jogado no quarto. Aí ela deixava na caixa mesmo, com a tampa entreaberta, a parte de cima pra fora. Assim estava guardado e ao mesmo tempo ela poderia olhar sempre que tivesse vontade. Mas não era nada prático toda vez que quisesse usar ele, ter que ir lá e tirar da caixa pra depois ter que juntar tudo e colocar na caixa de novo. Isso significa que cada vez menos ela usava e cada menos ela se importava com o objeto dentro da caixa. Aí um dia ela esbarrou na caixa e o objeto caiu no chão, e ficou lá por dias e dias sem que ninguém notasse. Nem ela teria notado se, no terceiro dia ela não tivesse tropeçado nele. "Mas como ele veio parar aí? Será que ninguém o viu?". Então ela notou que ninguém ali se importava e que ela poderia deixá-lo em qualquer lugar, porque ninguém a julgaria por causa disso. PERAÍ, PÁRA O CONTO.

Pensei numa metáfora hiper-foda, até eu perceber que tá parecendo que ela tem um vibrador na caixa. Deixem pra lá, tiau.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Festa

Ela gritava e gritava e gritava mas ninguém ouvia. Ela não estava isolada do mundo, ela só estava no seu quarto enquanto uma festa acontecia no resto da casa. Todos ocupados em conversar, beber e comer e ninguém deu por falta dela. A vontade de estar sozinha e de ter alguém para conversar se combatiam dentro dela. Ela não queria realmente estar sozinha, mas se os presentes naquela festa eram a unica opção que ela tinha, o melhor era se trancar. A música estava alta, os convidados também. Ninguém notaria sua ausência, e ainda assim ela gritava, abafando com o travesseiro para que ninguém fosse a incomodar com perguntas vazias de "Você está bem?". Era o que ela menos precisava naquele momento, um sorriso falso, atenção desatenta. Estúpida idéia aquela de achar que enchendo a casa ela se encheria também, as coisas só pioraram. Os primeiros rostos conhecidos que chegaram foram logo seguidos de mais e mais rostos desconhecidos que já se pegavam no sofá da sala ou jogavam as cinzas pela sacada. Todos se divertiam, com certeza. No outro dia se espalharia na faculdade a notícia da festa sensacional que teve na noite anterior. Quando perguntassem sobre onde ela estava, responderiam que devia estar no quarto com alguém ou saiu pra comprar mais cerveja, versões diferentes para o fato de ninguém realmente saber, muito menos se importar. A festa estava lá pronta, a dona da casa não era tão importante assim. Seu travesseiro já estava encharcado de lágrima e saliva quando ela já não conseguia mais gritar. Até que ela conseguiu dormir. Acordou no outro dia, seu apartamento estava uma bagunça. Alguns copos quebrados, uns enfeites de mesa sumidos, garrafas de cerveja vazias e cinzeiros espalhados por todos os cômodos. Mas ela achou uma coisa que a fez se sentir muito melhor: o silêncio. Ela estava sozinha novamente, mas agora era só ela de pijama em sua varanda, sentindo o cheiro do seu próprio cigarro que subia para o apartamento de cima.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O Pior Professor da Minha Vida

Houve um tempo em que as pessoas usavam seus blogs para contar de suas vidas e desabafar, hoje retomarei um pouco disso.

Já tive muitos professores ruins nessa minha vida, mas nunca nenhum foi tão ruim. A aula de Audiovisual tinha tudo para ser uma aula extremamente maneira onde não só aprenderíamos a mexer com câmeras e roteiros, como também produziríamos nossos próprios curtas e peças publicitárias. Mas o que encontramos foi um professor escroto (que quem sabe seria bipolar se alguma de suas duas personalidades fosse agradável) que não entende nada de tecnologias (e quando eu digo isso, estou me referindo ao fato de ele não conseguir mexer em um aparelho de dvd e levar suas fitas VHS para a aula, ou ser incapaz de ligar um computador, quanto menos editar um vídeo), extremamente grosso e autoritário e praticante da pior das ironias e dos sacarmos (e quando eu digo "pior" eu me refiro a falta de habilidade dele em fazê-los). Você deve estar imaginando que esse professor seja uma daquelas múmias que sobrevivem por anos dando aula nas universidades federais deste país e que se julgam donos da universidade, e você se engana totalmente. Estou falando de um carioca, na faixa dos seus 40 anos, que odeia o fato de dar aula em Goiás e faz questão de apontar todos os erros de falha e estrutura existentes na UFG e na cidade. Não que ele tenha chegado por aqui agora, ele deu aula aqui por muito tempo, saiu para fazer seu mestrado durante 4 anos e voltou agora. Mas o que parece é que ele foi expulso da UFRJ e obrigado a trabalhar aqui por um tempo. Atrasou 40 minutos certo dia por ter pegado o ônibus errado e não conseguiu achar onde pegava o ônibus de volta. Gastou 50 reais num taxi para chegar a faculdade. Reclama das câmeras, da ilha de edição, dos computadores, das salas, do tempo para realizar as coisas, dos alunos, da coordenação, reclama de tudo. Agora você pode pensar também que ele é arrogante desse jeito porque entende demais da matéria mas, eu já citei que ele é um pária tecnológico? Ele não saber mexer com as câmeras, nem com a ilha de edição. Confunde os planos da câmera, não consegue explicar estrutura de roteiro, passa trabalhos que são modificados drasticamente DURANTE a realização dos mesmo, nos manda filmar curtas de roteiros (sem nexo, além da breguice pura e das marcas de ferrugem do grampo e da máquina de escrever) escritos por ele próprio. Em sua primeira aula, ele pediu para que produzíssemos um roteiro para filmarmos no trabalho final. Quando apresentamos o roteiro pra ele, ele deu chilique porque o que ele queria era a adaptação de um conto. Ao escolhermos um conto e mostrarmos pra ele, ele deu um chilique porque o conto tinha que ser do Machado de Assis. Enquanto meu grupo olhava pra ele com cara de "Q", ele pagava mais um sapo interminável sobre como ninguém fazia nada direito. A última aula dada por ele foi a gota d'água. Após ter problemas ao ligar o videocassete (pediu nossa ajuda e eu inocentemente sugeri que ele ligasse o "POWER", funcionou), ele começa a gritar para sentarmos com nossos respectivos grupos. Após todos fazermos o que ele pediu, ele começa a gritar que os grupos devem ficar distantes um dos outros para que ele pudesse diferenciar os grupos (o que era impossível devido ao numero de grupos e o tamanho da sala), assim ele começa a gritar que é pra ficar todo mundo em fila que ele aplicaria uma prova. Enquanto o assistente que estava ajudando com as câmeras, videocassetes e etc, o observava chocado, ele explicava que iria ler um conto e que tinhamos que roteirizá-lo individualmente ao mesmo tempo que ele lia usando todas as definições de um outro texto lá que ensinava a fazer roteiros, tarefa essa impossível, visto que fazíamos tudo a mão. Até chegar a hora que ele diz que é pra entregar na próxima aula, mas isso foi depois de muita enrolação e encheção de saco. Aí ele começou a passar curtas que não deram certo feito por ex-alunos para apontar os defeitos (anti-ético?). E eu desisti e fui embora. Uma hora e meia depois ele libera os alunos, muito depois do que ele tinha que liberar e sem dar intervalos (tenho 4 aulas juntas, com um intervalo entre as duas do meio). Já tive professores grilados, bipolares, que não sabiam como passar o conhecimento para seus alunos, mas esse é o primeiro que além disso tudo, não tem conhecimento nenhum sobre a matéria que está dando.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pensamentos Avulsos.

Pensamento Avulso nº 22: Não entendo nada de física, mas cheguei a conclusão que a viagem no tempo é impossível já que para isso teríamos que deslocar matéria através do tempo, assim um corpo x no tempo x teria que ir para o tempo y, mas no tempo y não existe um "vácuo" que abrigaria o recém chegado corpo x. Assim a viagem no tempo só funcionaria se conseguíssemos fazer uma troca de matérias entre o tempo y e o tempo x. Quer dizer, sei lá, não dormi direito hoje.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Contrário de um Bolero

Deite do meu lado
E esqueça o seu trabalho
Vamos sair e ir ao cinema

Só olhe para mim
Que a vida é boa assim
Finja que não há problemas

E enquanto a gente curte
Olhando um ao outro
O nosso corpo urge
Que o tempo é muito pouco

E sofre antecipado
O fim desse estado
De união extrema

Esperando o próximo encontro.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Rádio Cowboy #3

Estou aqui mais uma vez pra entregar (esse que é o podcast favorito de 3 a cada 10 leitores desse blog!) a terceira edição da Rádio Cowboy! Nessa edição tenho como convidado Flávio Baleeiro que apesar de não escrever nenhum blog relevante, é um grande amigo e um dos responsáveis pela minha ida ao rock independente há mil anos atrás! Não sei se é pela empolgação de momento mas acho que essa foi a melhor playlist até agora. Ouçam e me diga aí nos comentários.



Tá aí a playlist, amiguinhos!

Cachorro Grande - Você Não Sabe o que Perdeu
Husky Rescue - Summertime Cowboy
The All American Rejects - The Last Song
The Offspring - Hit That
Vanguart - Cachaça
Oasis - Live Forever
Transplants - Dj, Dj
Gogol Bordello - Wonderlust King
Scissor Sisters - Take Your Mama
The Strokes - Heart in a Cage

Clique aqui se você quiser baixar e colocar no seu celular pra você ouvir no ônibus na maior altura: Rádio Cowboy #3

E COMENTA, MULECADA!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Mil tsurus.

Ela estava sentada há mais de cinco horas na beira do lago, pensando se jogava ou não os objetos que foram guardados cuidadosamente nos ultimos dois anos dentro daquela caixa no meio de suas pernas. Garças de papel cuidadosamente feitos. Mil deles pra ser mais exato. Diz a lenda que depois de fazer o milésimo tsuru, um desejo seu se realizaria. Encarando o lago, ela refletia sobre seu desejo. "Qualquer coisa, qualquer coisa!" disse aquele senhor japonês dois anos antes enquanto explicava como montar o origami. Como nada tinha funcionado até aquela hora, ela resolveu tentar. E um por um foi fazendo os pássaros de papel. E a medida que já acumulava centenas, ela foi vendo sua irmã melhorar consideravelmente. Suas pernas já começam a responder a estímulos e seu pulmão estava quase funcionando sozinho. A incerteza se era resultado do esforço dos médicos ou daqueles origamis a fez continuar a sua jornada aos mil tsurus. Sua família não entendia muito bem o porque dela se prender tanto naqueles pássaros de papel, nem ela se esforçava para explicar. O importante é que ela sabia que estava funcionando. Sua irmã parecia bem melhor, apesar de ainda não poder nem se levantar do leito daquele hospital. Porém, como ser humano que era, ela se acomodou. Ao ver sua irmã melhorar, os tsurus não pareciam tão mágicos assim. Soavam mais como uma perda de tempo, enquanto poderia estar ajudando sua irmã a comer ou algo assim. E ela foi deixando de fazer. Faltavam pouco mais de 100, mas eles já estavam esquecidos em uma caixa debaixo de sua cama enquanto ela, mais tranquila com sua irmã, ia retomando aos poucos sua vida. Até que numa noite, os pulmões de sua irmã param de funcionar. Ela é acordada de madrugada apenas para ouvir sua mãe, aos prantos, lhe dizer que a irmã tinha morrido. Desesperada, ela começa a refazer os tsurus na esperança de eles a ajudarem. Antes de amanhecer ela já tinha os 100 tsurus e seu desejo era ter sua irmã de volta. Era tarde demais e ela sabia disso. E seguiram os dois piores dias de sua vida, o velório e enterro de sua irmã. Ela tendo que ouvir de cada parente que não era culpa dela, que essas coisas acontecem. Mas ela sabia que a única a culpar era ela mesma. Algumas semanas depois, um pouco mais calma, ela pegou a caixa e foi para um lago que tinha nas redondezas da cidade. Sentada lá, ela pensava se se livrava ou não dos pássaros presos naquela gaiola de papelão. A culpa era dela. Se ela tivesse feito os origamis a tempo, ou melhor, se não tivesse insistido em dirigir naquela noite dois anos antes, sua irmã ainda estaria viva. Concluía isso enquanto observava seus mil tsuru boiando rumo ao centro do lago.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Correntes.

Escrevi esse texto pro RisosPonto mas acho que seria interessante que vocês lessem também.

Correntes sempre foram um problema. Mas não estou falando das correntes que prendem navios e outros objetos pesados nem daquelas que estão nos pés do prisioneiro naquele filme legal onde o Johnny Depp interpreta um cara excêntrico. Estou falando daquelas mensagens simpáticas, com um fundo de moral que no final, quando você acredita inocentemente que alguém só queria te passar palavras bonitas para você se sentir melhor, você descobre que agora você entrou numa espécie de maldição onde ou algo ruim vai acontecer se você não espalhar a mensagem ou algo de muito bom vai deixar de acontecer se você não espalhar a mensagem.
Antigamente essas mensagens eram passadas em notas de real ou folhetinhos com fotos de santos. Mas era basicamente a mesma coisa: ou você escrevia a mensagem em 600 notas de 1 Real (nem existe mais tal coisa) ou fazia seis mil cópias do folhetinho com o santinho ou você pegava AIDS. Aí lá ia a tia velhinha falar com o sobrinho que trabalha na gráfica pra fazer as cópias ou gastar todo seu dinheiro escrevendo nele a mensagem, afinal, uma senhora respeitosa como ela não pode sair por aí pegando AIDS.
Com o advento da tecnologia, essa praga tornou-se muito mais fácil de ser espalhada. Há uns dez anos atrás, quando todas as pessoas tinham um email mas ninguém sabia direito como usá-lo, esta ferramenta se tornou muito útil no ato de espalhar correntes. E dá-lhe receber aquelas mensagens com mil destinatários, afinal, se o remetente não mandasse a corrente em 10 minutos para trocentas pessoas, muito provavelmente a mãe dele viraria um urso panda e teria que se mudar para um lugar onde haja bambus disponíveis.
O problema dessas correntes não são elas realmente, mas nos dois tipos que elas acabam gerando: o cara que escreve as correntes e o cara que as transmite.
O cara que escreve as correntes se acha o Jim Carrey naquele filme onde ele ganha poderes e faz coisas engraçadas. Ele escreve uma história (ou mensagem) para que a pessoa se comova ao ponto de transmitir a mensagem, porém, não acreditando que seu texto é bom o suficiente para ser divulgado ao boca-a-boca, ele coloca uma espécie de ameaça (ou prêmio em alguns casos) no final. Você espalha a mensagem que eu escrevi e seu amor voltará para você. Ou alguém que te ama muito vai se revelar para você. O cara que escreveu a mensagem não tem poderes mágicos como aquela benzedeira que mora perto da sua casa e, na verdade, nem a benzedeira tem.
O cara que transmite a mensagem (que não necessariamente é um cara, muitas vezes é uma senhorinha velhinha e inocente), realmente acredita naquilo. E acredita a tal ponto que alguns chegam a explicar os problemas da vida com aquela mensagem não passada ("OH NOES! Ninguém se revelou dizendo que me ama hoje! Eu devia ter mandado aquela mensagem para 45 pessoas em menos de duas horas para que isso acontecesse!"). E não satisfeito em se preocupar com o que está escrito na mensagem, ainda distribui a tal maldição para sua lista de contatos. Pensem comigo: o cara para evitar que mil carneiros invadam sua casa, precisa passar a maldição dos mil carneiros para outras pessoas! Grande amigo esse seu, hein? Que para encontrar o grande amor da vida põe em risco o encontro de um grande amor para todos os sujeitos da sua lista de emails.
Enviar correntes pra mim é pedir para ser bloqueado da minha vida. Não o façam, nem que disso dependa a morte de um ente querido (mentira, se você conseguir me provar que realmente depende a vida de um ente querido seu, eu te desbloqueio da minha vida). Mas já que eu sei que vocês tem muitos amigos por aí, vocês terão que passar esse texto para 10 amiguinhos seus nos próximos 10 minutos. Se você fizer isso, o grande amor da sua vida vai se revelar pra você. PORÉM, se não fizer, você vai ficar sem internet durante 10 dias. TRY ME.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pensamentos Avulsos.

Pensamento Avulso nº 21: Ontem tive contato com mais uma das bizarrices do mundo moderno: Suco "Laranja Caseira" Light. Quão light pode ser um suco que promete se aproximar o máximo possível de um suco de verdade? Só podemos concluir que no processo de fabricação desse suco é usado menos laranjas (ou quem sabe menos daqueles gominhos bizarros presentes no tal suco) que o "Laranja Caseira" normal. Ou talvez o "Light" na embalagem seja apenas por questões mercacológicas. O problema é que esse "Laranja Caseira" não se parece em nada com um suco natural de laranja nem tem aquele gostinho de suco de laranja artificial que nos remete a nossa infância. Double #Fail.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Um ciclo vicioso.

De tempos em tempos ele voltava pra casa onde tudo aconteceu. Por mais doloroso que fosse voltar praquele lugar, seus pés o guiavam meio inconsciente para aquela rua. Quando dava por si, parado em frente aquele portão cinza que tantas vezes se abriu para que entrasse, já estava se imaginando andando pelos corredores que hoje estão vazios em uma época onde aquela ocasião nem ao menos esboçava existir. Cada cômodo daquela casa o fazia arrepiar por dentro e ainda assim não conseguia parar de ir lá. Ele via as crianças brincando no quintal, a televisão ligada na sala, sentia o cheiro de comida vindo da cozinha. Mas faltava algo... faltava a realidade. Nada estava realmente lá, a casa estava vazia há anos, desde que tudo aconteceu. Eles preferiram se mudar do que ter que encarar de frente e superar juntos. O tempo passou e eles já esqueceram. Continuaram com suas vidas, por mais doloroso que fosse. Pra ele é muito mais difícil esquecer, afinal, foi com ele que aconteceu. E essa mania de ir parar lá toda vez que se distrai torna a superação impossível. Todos dizem que ele tem que esquecer, o que aconteceu, aconteceu. Dizem que ele tem que aproveitar o lugar em que está e se envolver mais com as pessoas que estão na mesma condição que ele. Mas a culpa não é dele. Ele só vai conseguir superar quando parar de ir lá e só vai parar de ir lá quando conseguir superar. Um ciclo vicioso. Não era tão fácil assim se conformar com a própria morte.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Rádio Cowboy #2

Cá estou com a segunda edição desse podcast que dominou os iPobres do mundo semana passada. Como a repercussão de vocês foi muito boa (apesar dos poucos comentários), eu resolvi apressar a segunda edição. E pra essa segunda edição temos como convido um outro amigo, Arthur Moraes. Eu realmente espero que vocês gostem tanto da playlist dessa semana como gostaram da de semana passada.



Tá aí a lista de músicas:

The Killers - Somebody Told Me
OK Go - Here it Goes Again
The Backbitters - Stronger than ever
Woolloongabbas - O Álcool
Cake - Shor Skirt/Long Jacket
Fresno - Redenção
Los Hermanos - Cara Estranho
U2 & Green Day - The Saints are Coming
Radiohead - High & Dry
Muse - Knights Of Cydonia

Se você quiser baixar pra escutar na van indo pra escola clique aqui: Rádio Cowboy #2
E comentem, seus putos!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Renato foi fazer Stand-Up. (Parte 2)

Antes de mais nada, leia a parte 1.

Renato preparou seu melhor texto com seus assuntos preferidos. Ele começou:
"Eu sempre me sinto meio desconfortável quando passo perto de freiras. Além daquela roupa no calor de 40º graus, elas estão sempre de cara fechada! Apesar que quem não estaria de mau humor suando pra caramba naquelas roupas, e sem perder a postura! (risadinhas no fundo) Além disso, elas sempre parecem te reprovar por tudo o que você faz. Você está sentado no ônibus? Ah, você poderia ceder seu lugar pra alguém que precisa. Você está andando por aí? Ah, você poderia estar fazendo trabalhos voluntários na sua comunidade. Você está dirigindo? Ah, você poderia estar distribuindo comida aos pobres. Você está assistindo Globo Esporte? Ah, você poderia estar na igreja rezando. Taí outra coisa que não entendo: os padres são homens, não são? Como eles conseguem celebrar missas no horário da Fórmula 1? (risadas altas no fundo da platéia) Eu mesmo só como minha namorada antes ou depois da Fórmula 1! Porquê a Fórmula 1 é tipo minha segunda religião, sabe? É Deus no céu e Ross Brawn na terra. Não preciso nem dizer que o Galvão Bueno é o demônio, né? (um cochicho começa no meio da platéia) Se o Galvão Bueno fosse um pastor evangélico, o Brasil não conseguiria sobreviver. Não basta estragar com a Copa do Mundo e a Fórmula 1, tem que estragar com Deus também? (o cochicho aumenta e pessoas começam a ir embora. Renato volta ao assunto anterior pra tentar reconquistar seu público). Voltando agora às freiras. Eu tenho na minha cabeça que um convento é um lugar feliz onde as freiras passam o dia inteiro cantando Oh Happy Day à capela enquanto fazem sopões para distribuir aos pobres. Elas rezam também entre um Oh Happy Day e outro, sem dúvida. Mas sempre num clima alegre. E tem pessoas que falam que vida de freira é sofrida... Mesmo porque ninguém pode ser tão triste quando se veste de Batman 24 horas por dia. Eu mesmo quando era pequeno sempre quis ter uma fantasia do Batman..."
Foi quando o sujeito que o convidou a se apresentar o interrompe, tira o microfone de sua mão e fala "Esse foi Renato, irmãs! Palmas para ele! Agora convidamos a entrar nosso segundo convidado da noite: Jorge Samuel do Zorra Total!". Ninguém tinha avisado o Renato que teriam o Convento das Carmelitas no teatro aquela noite. As luzes o impediram de ver a platéia. Estava tão concentrado em sua apresentação que não viu seu amigo nas laterais do palco fazendo sinal para que mudasse de assunto. As freiras já estavam na bilheteria pedindo o dinheiro de volta e ameaçando processar a companhia de comédia. A carreira de Renato tinha acabado.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Rádio Cowboy #1

Aqui estou eu com mais uma novidade pro Cowboy 2010!

O Rádio Cowboy é um podcast apresentado por mim onde escolho uma lista de músicas pra vocês escutarem e, entre uma música e outra faço algumas observações e comentários. Para essa primeira edição eu convidei o amigo de sempre Pedro Lobato e gravamos. Espero que vocês gostem tanto da lista de músicas quanto do formato do programa.



Aqui está a playlist desta edição:

Weezer - (If You're Wondering If I Want You To) I Want You To
Smash Mouth - Hang On
The Fratellis - Chelsea Dagger
The Zutons - Valerie
Hellbenders - Hurricane
Bidê ou Balde - Bromélias
Sapatos Bicolores - A Cobrar
Velhas Virgens - A ùltima partida de bilhar
Wander Wildner - Mares de Cerveja
Flobots - Handlebars
Mersault e a Máquina de Escrever - Prostituto
Beirute - Elephant Gun
Gram - Meu Reflexo


Clique aqui se você quiser baixar e colocar no seu iPobre: Rádio Cowboy #1
E comentem, seus putos!

ps. Atenção para as vinhetas. A final é bem melhor que a inicial.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Analisando: Black Eyed Peas - I Gotta A Feeling (Clipe)





Começa com uma placa de Hollywood e três putinhas andando por aí. Saltos e pernas e Will.i.am cortando o cabelo. A Fergie se arrumando, tomando banho. Um japa irado que também é do BEP e um negão. Salto alto e o cara começa a cantar que ele sente que hoje vai ser uma grande noite, dá uma espreguiçada e senta perto da cama. YUHUL FERGIE DE LINGERIE. Mini saia, calçada da fama, aquele negão amarrando sapato. Uma propaganda de celular, o japa mexendo no celular (essa merchan deve ter pago o clipe inteiro)... Will.i.am se veste com a roupa mais brega que tinha em seu armário. UHUL FERGIE DE NOVO, alguém no chuveiro, e maquiagem. Luzes e skatista. Um cafetão e duas prostitutas. MAIS FERGIE. Um broder andando de bicicleta e derramando tinta na calçada da fama (tem lei nessa cidade não?), malandrão dá um tapa na bunda da putinha andando na rua. A FERGIE FAZ UM "U-HU". Mais putas e CARALHO O JAPA TÁ VOANDO. Will.i.am na moto mais brega da cidade. A Fergie. Galera saindo dos carros e pulando os muros pra entrar na casa que suponho eu vai ser a festa. HAHAHA QUE RIDICULO ESSE BRODER PULANDO, umas gatinhas se pegando e dançando. A Fergie cantando alguma coisa ali no meio das gatas, essa curte, hein? Opa, uma garota com cancêr). De qual que é desse tubarão aí em cima? O cara pede pra encher o copo dele, rola um brinde. Ele aponta as gatinhas dançando. HAHAHA O cara sugere pra galera queimar o telhado e a fergie manda um "E depois de queimarmos o telhado a gente queima de novo" enquanto ela enconxa as gatinhas. O vocal fica no "Vamo queimar" enquanto os integrantes coadjuvantes da banda e alguns broders aparecem no clipe. Will.i.am caindo no sofá em camera lenta, notem que a garota com câncer está no fundo acomapanhada de uma gorda com cabelo anos 50! Gatinhas se pegando, então aparece aquele broder que tava amarrando o sapato no começo e o japa de novo. Mais gatinhas se pegando. Fergie em camera lenta e depois pegando uam gatinha. Um broder com um balde contendo o Slime do Caça Fantasmas. Gatinhas twittando em um netbook da HP que ajudou a pagar a outra metade do clipe. A galera toda loca de doce começa a enfiar a mão no balde e pirar na vibe daquela parada verde brilhando. Agora tá todo mundo pintado com tinta florescetente que nem naquele filme do Batman (se eu não me engano). Galera moderninha pintou até uns oculos e umas pinturas de guerra indígenas. O japa e o cara que amarrou o tênis se contentam em repetir o que o cara fala e ficar no fundo. Todo mundo loco de doce. Queimando o telhado, gatinhas dançando em cima da mesa. YUHL TODO MUNDO SEMINU, estourando champanhe um no outro, debaixo do chuveiro. David Guetta carregando uma mulher pra casa e o denzel washington anos 80 olhando no fundo. Geral pirando. O cara dos sapatos ganha sua vez dizendo...os dias da semana. Uma bicha louca na beira da piscina. Querem festa todo dia, a bicha pula na piscina. Derrubam os cookies, todo mundo louco e bêbado voltando pra casa, vai todo mundo acordar de ressaca. O fim, com uma mulher em coma alcoólico.

O Will.i.am foi convidado pruma festa e chamou os amigos, provavelmente com aquela velha desculpa de "ah, posso levar meu primo, ele tá lá em casa". Aí geral se produz pra ir pra festa. Chegando lá o Will.i.am mostra que num tá nem aí pra nada, que tem dinheiro e vai gastar mesmo. A Fergie que tava meio reprimida e fala que precisava da festa pra perder a dignidade um pouco. O Will.i.am bebe pra caralho e acha que pode fazer o que quiser, então sugere pintar a cidade inteira com tinta fluorescente e queimar o telhado da casa. Começa todo mundo a se pintar. Aí quando já tá todo mundo loco, eles deixam o cara que amarrou os sapatos cantar um pouco, mas já na parte da festa que ninguém vai se lembrar. Podemos perceber nesse clipe que a juventude está cada vez mais perdida e sem limites, se entregando aos males da libertinagem e, PUTA QUE ME PARIU, que clipe escroto.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pensamentos Avulsos.

Pensamento Avulso nº20: Esses dias meu pai disse que queria ver o novo filme do Richard Gere que tá no cinema e tem uma atuação sensacional e emocionante do cachorro (meu pai tira essas informações do portal Terra), que suponho eu seja uma peça importante da história. Refletindo um pouco sobre a atuação digna de Oscar do cachorro nesse filme eu conclui que não existe animal "bom ator", tudo que temos é um cara na mesa de edição com uma puta duma paciência pra pegar aquele rolo de 300 horas de um cachorro brincando e fazer caretas e transformar aquilo em algo que faça sentido. Ou você acha que a macaca daquela novela conseguia acertar o abraço no Marcos Pasquim no primeiro take? Pff.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Garoto e Seu Gatinho

Seu gatinho era seu melhor amigo. O nome era Seu Gatinho mesmo, pois julgara ser um nome interessante. Quando estava triste com algo que aconteceu na escola ou por ter ouvido um sermão de sua mãe, era o Seu Gatinho que o consolava. Diferente dos outros gatos, Seu Gatinho não se esgueirava pela fresta da janela quando a noite chegava. Seu Gatinho dormia ao lado dele, como um cão de guarda, sempre pronto para proteger seu dono contra qualquer ameaça real ou imaginária. Porém ele não podia o proteger de tudo. Certa vez o garoto ficou muito doente, a ponto de ficar de cama por mais de duas semanas. Durante todo esse período, Seu Gatinho ficou de prontidão ao lado da cama, por vezes indo afagar seu dono em busca de melhora. Até que o médico veio com a notícia: o gato havia transmitido a doença e para que o garoto não piorasse, ele teria que ser sacrificado. O garoto se desesperou, não conseguia imaginar sua vida sem o Seu Gatinho. Já Seu Gatinho, no alto de sua honradez e paixão ao mestre, não podia se perdoar por ser o responsável pela enfermidade de seu dono. Como um dedicado criado, se entregou as mãos frias do veterinário para que fosse sacrificado. O garoto sofreria com a perda, sem dúvida, mas logo cresceria e arrumaria outros amigos e interesses, já Seu Gatinho não, jamais conseguiria conviver com a culpa.

Pensamentos Avulsos.

Pensamento Avulso nº19: Não entendo quem fala que você deve parar de comer quando está cheio. Vamos analisar o problema: você foi em uma pizzaria rodízio, qual o seu objetivo por lá? Não sei vocês, mas quando vou em um restaurante caro ou algo assim, meu objetivo é apreciar a comida e não matar a fome. Então se você está lá pelo sabor e não pra matar a fome, você vai parar de comer quando fica cheio ou quando você ter experimentado todos os sabores que você gostaria? O importante é o sabor e não o tamanho do seu estômago. Lógico que nisso tudo eu ignoro o fato de que você vai passar mal de tanto comer e engordar pra caralho, mas é o que geralmente faço quando vou comer fora: ignoro o fato.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Renato foi fazer Stand-Up. (Parte 1)

Renato sempre fora o mais engraçado da família. Nos almoços de domingo, ia da escatologia ao mais refinado humor britânico sem mudar o tom e sempre conseguia tirar de cada um dos seus ouvintes as risadas mais histéricas. Com seus amigos não era muito diferente, apesar de cada um deles ter seu momento de brilho, em geral era ele que mais se destacava. Mas quando estava em meio a desconhecidos que atingia seu auge: falava sem parar sobre as coisas mais banais porém da forma mais absurda possível, como não o conheciam nunca sabiam se ele falava sério ou não. Certa vez discorreu por mais de duas horas sobre como sua carreira de cover da Sandy teve que ser deixada para trás quando chegou sua puberdade. Até hoje pessoas se perguntas se tudo aquilo era verdade ou não.
Muitos falavam que Renato tinha o dom pro humor e que ele era um talento desperdiçado, tinha que estar em um desses programas de tv, mas ele nunca tinha pensado seriamente em fazer nada profissionalmente. Até que um dia surgiu a chance de se apresentar num bar em um grupo de Stand-Up. Para ele, essa modalidade de humor tinha uma certa áurea pois cresceu vendo mestres como Chris Rock, Jerry Seinfeld e George Carlin em reprises legendadas na HBO, mas hoje em dia qualquer um faz stand-up, não é? Publicitários e sub-celebridades assumem o microfone por todo o país para repetir piadas que viram em outras apresentações no YouTube, para depois serem convidados a ir em programas de entrevistas para repetirem novamente, irem parar no YouTube para que outra horda de publicitários e sub-celebridades possam copiar as já copiadas piadas. Ele resolveu tentar.
Passou semanas preparando um texto decente e original, pediu dicas para profissionais, procurou um tema abrangente e ensaiou diversas vezes pro espelho e pra sua namorada. No grande dia de sua estréia, o nervosismo tomou conta e fez Renato se atrapalhar todo: trocou as piadas, fez comentários ácidos, discutiu com um bêbado na platéia. Apesar dos pesares, o sujeito que o tinha convidado a se apresentar gostou muito do que viu e culpou os erros mais a falta de experiência do que a incopetência. Ele estava convidado para voltar na semana seguinte.
Aos poucos, Renato foi aprimorando sua técnica. Os textos já fluiam mais naturalmente e a platéia respondia cada vez melhor. Logo já estava oficialmente contratado para se apresentar toda semana, era um sucesso! Começou a fazer apresentações fora de sua cidade e já tinha até feito entrevistas para a televisão local e sites na internet. Os videos de suas apresentações transitavam com sucesso na internet. Ele definitivamente tinha nascido para aquilo.
Até o dia em que não foi tão feliz na escolha do tema...



Continua...