quarta-feira, 19 de abril de 2017

Transtorno.

O tique do relógio dita o passo do caminho
A linha na calçada guia o TOC direitinho
A tranca destrancada vai e volta por certeza
Limpando novamente sem deixar marcas na mesa
Os quadros alinhados mostram a bela paisagem
Levando suas próprios lençóis em cada viagem
E se o ritmo da vida é planejado em preocupação

Incerto apenas é o ritmo da batida do coração.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Dissociação.

Dissocio do meu corpo após mais um copo
Os óculos sujos disfarçam o vermelho dos olhos
A dor espiritual e física espera tal hora, cínica, 
pra se manifestar
O passo pesado dita o ritmo do translado
Do trabalho para o lar
Onde um banho quente espanta de repente
Os males a me incomodar.
Na cabeceira da cama minha cabeça descansa
Como quem amansa uma fera faminta
E se não era, sinta como se fosse
O fundo do fosso nos trouxe
Um outro jeito de murchar.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Atrás do morro distante.

Atrás do morro distante
Mora um velho viajante
Que caminha pelos campos
Com olhar baixo e passo manco

Em sua bolsa leva tudo
Sua espada e seu escudo
Em busca de uma loucura
Que justifique uma aventura

Um ouro escondido
Uma princesa em perigo
Que vire sua amante
Atrás do morro distante

E é atrás do mesmo morro
Que a noite ouve-se o choro
Do viajante, bem baixinho
Triste por estar sozinho

Nem relincha seu cavalo
Que insiste em acompanhá-lo
Se esquentando ao seu lado
Pelas viagens do passado

O viajante pobre coitado
Ainda espera a motivação
Está sempre preparado
Pra pegar a próxima missão

Mas enquanto ela não chama
Faz-se do mato sua cama
Esperando doravante
Atrás do morro distante