quarta-feira, 24 de abril de 2019

Caminho.

Aos 13, eu descobri que poderia ser quem eu quiser

Aos 15, eu fui quem eu achava que era

Aos 18, me contaram que não era legal

Aos 21, eu me esforcei pra ser diferente

Com 23, eu tive uma visão clara da evolução

E com 25, eu me coloquei no caminho certo

Com 27, eu parei e não cheguei onde queria

Aos 29, percebo que ainda tem muito por aí.

Racionalizar os sentimentos

Sentir não é errado

Respeitar os meus limites

Sem limitar minhas escolhas

Entender o meu processo

E o processo de quem eu amo

Dar sempre o próximo passo

Pois mesmo sozinho, 

Sempre vai ter gente do meu lado.


E quando for mais difícil

Quando o joelho falhar

Para e respira

Não tem problema em voltar

Porque quando estiver lá longe

Uns passos pra trás ainda vão ser

Muito na frente do que você estava.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Vento.

Olhar pra frente e ver o oceano me cercando, sem indicação para onde ir mas também sem amarras. Treinado para estar preso, hesito em começar, como se minhas pernas ainda sentissem o peso das correntes. Uma leve brisa corre em meu rosto que me faz pensar por um segundo como deve ser voar. Ao mesmo tempo, sinto a água me levando levemente para outro lugar. Impossível ficar parado quando o mundo parece te querer longe. A pressão em meus ouvidos faz minha cabeça doer, como se eu não soubesse que pra ela diminuir é só dar alguns passos. Não estou preso mas ainda me sinto. Estou leve o suficiente para me deixar levar, não sofro com as dificuldades. O que me segura agora é invisível e imaterial. Como o vento, que me empurra. Só preciso aceitar e planar.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Gaiola.

O que é essa sensação de desprendimento que cresce? Depois de tanto tempo que eu me esforcei para fazer parte? Depois que eu voei por um tempinho e a situação me isolou do solo, parece que tudo continua pequeno mesmo depois que eu pousei. Os problemas não me atingiam lá de cima, as expectativas também não. Fui livre como me preparei para ser. E agora que voltei, estou quase sem lugar, como se aqui também fosse só passagem. O destino é para fora, o lugar que não me permitia conhecer. E me deixar vagar sem rumo, deixar o acaso tomar conta dentro do pequeno controle que tenho de escolher estar naquela situação. O poder que isso dá é imenso, pois toda dor é menor e passageira quando você olha o todo. Vai doer, com certeza, como uma tatuagem sofrida que pra sempre está marcada. Mas tudo me empurra pra fora, mesmo fora do meu controle. Apressam o processo, bloqueiam meus desvios. A ladeira me deu o embalo necessário para ganhar velocidade e voar novamente. Mas eu ainda vacilo, desacostumado a poder. Ansiando por uma direção que não depende de mais ninguém. Só me querem fora daqui, tudo conspira. Eu deixo a corrente me levar, menos preocupado em firmar os pés no chão. Outras quedas virão mas também novos vôos. Não adianta olhar da gaiola e imaginar o mundo lá fora, a porta está aberta.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Aquário.

Esbarro em paredes de vidro
Que não tinha notado até então
Talvez por nunca ter ido
Muito além do que me alcança a mão
O crescimento força as paredes
Rompendo aos poucos o que me prende
Sem indicação de caminho certo
Me deixando a deriva num mar aberto

Flutuo sem direção
A corrente indica um rumo
Mas no nado está a intenção
Na potência do querer que consumo

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Orquestra.

O suor na testa

Testa a resistência

E atesta o esforço

No osso, o músculo grudado

Fatigado em câimbra

Sombra projetada

Na parede branca

Emulando o movimento

Lento e devagar

Vago os dedos no teu corpo

Sopro quente e ofegante

Preso como presa em seus dentes

Imóvel olhar hipnotizante

Antes do auge, ruge

Urge o tempo em instante

Instrumentos sincronizados

Em ritmo e tempo

Maestria regente 

E afinados