terça-feira, 5 de setembro de 2017

Inspiração.

Seu corpo é poesia
obra prima de um
mestre renascentista
inspirado pelo
mais belo dia
na tela e tinta a óleo
Olho pra você
e me emociono
como em um sonho
que no outro dia
não vou esquecer
é você que me tira o sono
abandono o dia
pra dormir com você
puxa o cobertor
como que sente frio
mas o arrepio
mesmo vem da nuca
sua respiração profunda
batimento cardíaco
calma, que sou cardíaco
meu coração não guenta
arrebenta
pulsando sangue pelo corpo
torpe torto vivo ou morto
motivo pra viver.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Trança.

A coluna arqueada revela
Mais sobre mim do que sobre ela
A unha na pele marcada
Cicatriz da noite passada
Perco o fôlego e a voz
Deixei de ser eu, passei a ser nós
Meu corpo pulsa, o seu treme
A vida navega, eu sou seu leme
Tormenta e calmaria em quinze minutos
O tempo para quando estamos juntos
O coração à deriva encontra o porto
Mar morto revive, flutua em conforto
Ofegante abraço finaliza a dança
Rosto colado, pernas em trança
Um último suspiro confirma o fim
Foi bom pra você? Foi lindo pra mim.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Mil graus.

O suor no corpo não disfarça
A cabeça quente embaraça
A decisão de quem diz que não.
E entre berros e apontamentos
Dedos deslizam sobre o copo
Vapor como em gelo seco
De um whisky que nunca foi cowboy
E se a gravata afrouxa no calor do momento
A ciência nega em descontento
Olham-se em desespero
Ricos rindo do futuro, sem medo.
A ignorância derrete a esperança,
As crianças brincam com o tempo
Pouco tempo que ainda resta.

Galo velho, sofredor.

Do alto da cerca o galo canta
Com a pouca força que o resta
No resto do dia ele descansa
Vivendo a vida de quem não tem pressa

O galo manca velho e fraco
Crente que não dá mais conta
Mas se outro galo canta no pedaço
Um estardalhaço ele apronta

E pra quem espera sua morte
Ansioso por uma bela canja
Sinto mas não está com sorte

Porque quando o dia nasce ele levanta
Iliuminado pela luz laranja
E de novo, do alto da cerca, ele canta.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O bobo não leva a culpa.

O lobo em pele de cordeiro
Passava tanto tempo camuflado
Que quando questionado
Se era carneiro ou se era lobo
Se fazia de bobo ou se confundia.
É que repetindo para si todo dia
Na hora de deitar no travesseiro
Com o tempo ele foi esquecendo
Se era lobo ou se era carneiro

Mas a mãe natureza é mais forte
E se por azar ou por sorte
Um colega se feria
E o cheiro de carne invadia suas narinas,
O ataque era brutal. 

Mas logo em seguida limpava sua lã
E se questionado por suas irmãs
A consciência nem pesava
Pois como alguém culpava
Um frágil cordeiro, pobre animal.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Um novo dia.

Se todo sonho
envolver perdas e ganhos
Qual o tamanho
do esforço que você
está disposto a assumir?
Rir de si mesmo
deixa a vida mais leve
mesmo que isso leve
Um tempo longo pra aprender.
As cicatrizes dóem
Como memórias que corróem
Sua mente mesmo que tente
esquecer.
E a felicidade é passageira,
pequenos momentos
de uma vida inteira.
Sentimentos de poder.
Poder chegar mais longe,
Sol que nenhum horizonte
Teve a honra de conhecer.
E se todo dia mais inerte
Você se perde na rotina,
O trabalho é a guilhotina
O dinheiro o carrasco.
O frasco vazio no criado mudo
O vento frio de assobio agudo
E a garantia que no final de tudo
Um novo dia vai nascer.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Conversas vazias.

Conversas repetidas, vazias sem nexo
Disfarçam o complexo medo de estar só
E se a distração do momento vale ouro
É triste ver todo esse tesouro virar pó
O eco na cabeça das palavras ditas
Automaticamente respondidas no impulso
Tiram a atenção da apatia e falta de pulso
Da indiferença de estar ali.

Mas em algum momento o corpo cede,
A mente pede por mais consistência
E se até a consciência pede ajuda,
Quem é que escuta o chamado final?

Se isola no silêncio, num quarto imenso de vazio
E se sozinho sente frio, esquenta o peito,
Dá-se um jeito de sobreviver.