quarta-feira, 22 de maio de 2019

A Vista.

Vou me permitir viver esse momento um pouco. Esse breve instante onde as coisas estão bem e prometem melhorar. Nesse tempo, uma felicidade contínua como poucas vezes vivi ou percebi com tanta clareza, deve ser enunciado para ser lembrado no futuro. Ele, potência mil de onde não se via nada, pega embalo em uma reta ascendente cada vez mais rápida. Não sei se meus planos se cumprirão, não sei se os sonhos que me deixaram sonhar vão se realizar. Pode tudo dar errado, inclusive, e no final eu estar muitos passos para trás. Mas agora, quero curtir e reconhecer onde estou. Quero agradecer todos que me trouxeram até aqui e aqueles que prestaram atenção o suficiente para se inspirarem. Inspirei-me em tantos outros, em seus próprios momentos de ascenção e clareza. Achei exemplo onde poucos viram e não diminuo nenhum empurrãozinho que me levou pra frente. Estou onde quero estar, com as pessoas que eu quero estar, fazendo o que eu gosto de fazer e olhando pros próximos passos e feliz demais com o que vem pela frente. Desvios são naturais e nos levam a lugares diferentes, mas vou me permitir parar agora, sentar na estrada, e observar a vista.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Hoje.

Não sou quem eu queria ser porque eu mesmo não sabia quais eram minhas opções, mas sou uma versão melhor de mim. Principalmente em critérios diferentes dos que eu julgava antes. Se eu achava que estava em meu auge, olhando ao meu redor e vendo que me destacava, mal eu sabia o quanto ainda poderia crescer em outras direções e os traumas que aquele caminho tinham causado. Tive que fechar o olho e dar um salto de fé, em um rumo que eu, em toda minha segurança, tinha medo. Olhar pra dentro foi doloroso, já que com os anos aprendi a negligenciar minhas vontades com receio de me frustrar. Aquilo estava tão encrustado em mim que eu nem me percebia mais. Mas como tirar band-aids, nesse processo me obrigou a tomar uma decição e ação. Essa ação me levou pra fora em lugares que eu já tinha ido mas que ainda não tinha estado. Aprendi a andar de uma nova forma, com um olhar diferente e, finalmente, independente. A dependência que se manifestava de maneiras não-óbvias me prendia, como se não me julgasse merecedor apesar de me entender capaz. Mas sair de casa, pelos pequenos períodos, me fez entender que posso ir mais longe. A casa, que já não é casa a muito tempo e eu ainda me apoiava em azulejos quebrados, pode ser onde eu estiver, me entender como minha própria morada (como diz a música aqui descontextualizada) é estar confortável onde eu estiver. Minha história, como o próprio nome diz, existiu e me formou, mas é história e não há de se repetir, nem aqui nem em outro lugar, e esse último processo (um ano e meio? dois?) me fez estar mais confortável com a inquietude e frustração que estar aqui me causava, me mostrando a saída. Ter pessoas ao meu lado passando por processos parecidos, dispostas a me entender e se fazer entendidas, foi crucial também. Não me sentir o Don Quixote em sua jornada contra os gigantes, entender que os gigantes são reais e que a batalha é vencida em conjunto. O apoio veio de outros lados inimagináveis, não impossíveis. O empurrão e a cobrança de me mover, mesmo quando eu perco o momento (falando de física) vieram na medida certa para me manter ativo. Até os problemas e dias ruins, que antes eram protagonistas, começaram a ser meros coadjuvanets que pouco interferem na história, ou me trazer novas perspectivas. O filtro sou eu, e na verdade sempre fui. Agora, como um prisma do outro lado da lua, consigo refratar o que recebo em arte e aprendizado. O passo, o peso, muitas vezes difícil, já anda com naturalidade e leveza. Não sou meus problemas, não sou meu passado, eu sou o que eu escolhi ser e o que vem depois. O esforço na mudança, ainda ativo como tantos outros na minha vida, começa a fazer parte de mim naturalmente e me torno uma versão melhor de quem eu era, como a continuação de um filme que muda de gênero e consegue superar o sucesso do antecessor. Hoje sou um novo eu que não esperava e, diferente do meu eu de ontem, já entendo que o de amanhã vai sim ser melhor. Só me resta a curiosidade de saber como.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Amanhã.

Me vejo mais leve e me movimento
O vento me leva em passo lento
O peso nos ombros se dissipa
Fortifica os joelhos e solidifica
O próximo passo passa rápido
Peso e descarto o que ficou pra trás
Trago comigo muito bem guardado
Tudo o que sobrou do que não quero mais
Mas sei da incerteza do meu futuro
Mando recado pra quem eu vou ser
Que se meu eu de ontem sobreviveu a tudo
Não vai ser o de amanhã que não vai viver

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Caminho.

Aos 13, eu descobri que poderia ser quem eu quiser
Aos 15, eu fui quem eu achava que era
Aos 18, me contaram que não era legal
Aos 21, eu me esforcei pra ser diferente
Com 23, eu tive uma visão clara da evolução
E com 25, eu me coloquei no caminho certo
Com 27, eu parei e não cheguei onde queria
Aos 29, percebo que ainda tem muito por aí.
Racionalizar os sentimentos
Sentir não é errado
Respeitar os meus limites
Sem limitar minhas escolhas
Entender o meu processo
E o processo de quem eu amo
Dar sempre o próximo passo
Pois mesmo sozinho,
Sempre vai ter gente do meu lado.

E quando for mais difícil
Quando o joelho falhar
Para e respira
Não tem problema em voltar
Porque quando estiver lá longe
Uns passos pra trás ainda vão ser
Muito na frente do que você estava.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Vento.

Olhar pra frente e ver o oceano me cercando, sem indicação para onde ir mas também sem amarras. Treinado para estar preso, hesito em começar, como se minhas pernas ainda sentissem o peso das correntes. Uma leve brisa corre em meu rosto que me faz pensar por um segundo como deve ser voar. Ao mesmo tempo, sinto a água me levando levemente para outro lugar. Impossível ficar parado quando o mundo parece te querer longe. A pressão em meus ouvidos faz minha cabeça doer, como se eu não soubesse que pra ela diminuir é só dar alguns passos. Não estou preso mas ainda me sinto. Estou leve o suficiente para me deixar levar, não sofro com as dificuldades. O que me segura agora é invisível e imaterial. Como o vento, que me empurra. Só preciso aceitar e planar.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Gaiola.

O que é essa sensação de desprendimento que cresce? Depois de tanto tempo que eu me esforcei para fazer parte? Depois que eu voei por um tempinho e a situação me isolou do solo, parece que tudo continua pequeno mesmo depois que eu pousei. Os problemas não me atingiam lá de cima, as expectativas também não. Fui livre como me preparei para ser. E agora que voltei, estou quase sem lugar, como se aqui também fosse só passagem. O destino é para fora, o lugar que não me permitia conhecer. E me deixar vagar sem rumo, deixar o acaso tomar conta dentro do pequeno controle que tenho de escolher estar naquela situação. O poder que isso dá é imenso, pois toda dor é menor e passageira quando você olha o todo. Vai doer, com certeza, como uma tatuagem sofrida que pra sempre está marcada. Mas tudo me empurra pra fora, mesmo fora do meu controle. Apressam o processo, bloqueiam meus desvios. A ladeira me deu o embalo necessário para ganhar velocidade e voar novamente. Mas eu ainda vacilo, desacostumado a poder. Ansiando por uma direção que não depende de mais ninguém. Só me querem fora daqui, tudo conspira. Eu deixo a corrente me levar, menos preocupado em firmar os pés no chão. Outras quedas virão mas também novos vôos. Não adianta olhar da gaiola e imaginar o mundo lá fora, a porta está aberta.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Aquário.

Esbarro em paredes de vidro
Que não tinha notado até então
Talvez por nunca ter ido
Muito além do que me alcança a mão
O crescimento força as paredes
Rompendo aos poucos o que me prende
Sem indicação de caminho certo
Me deixando a deriva num mar aberto

Flutuo sem direção
A corrente indica um rumo
Mas no nado está a intenção
Na potência do querer que consumo