sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Sentir.

Quem diria que eu ia terminar o ano com um desafio? Algo tão grande que nenhum treino me preparou. Memória muscular ou deslocamento geográfico não ajudarão em nada. Querendo ou não me preparei o ano inteiro para enfrentá-lo, até porque passei o ano todo negando o problema. Negando não, não entendo sua existência ou como resolvê-lo. Quando me mostram então uma possível causa, uma origem que vem lá de onde eu fujo e do que eu nego, daí deixa de ser um mero problema e passa a ser um desafio de superá-lo. E o caminho é para dentro: achar em mim as respostas nos lugares não-familiares. Superar os traumas e palavras proibidas, deixar de lado a segurança, entrar de cabeça em identificar os traços e erros. Eu consigo, talvez já teria conseguido se tivesse entendido antes. Identificar a origem (ou parte dela) foi essencial. Pois se a coerência com o que eu prego e acredito for colocada em teste por algo, esse algo precisa ser resolvido e superado. Não tenho medo de tentar, até porque não tenho nada a perder e, quando me coloquei em processo, concordei que estaria disposto a tudo para colaborar. Não vou lutar contra minha própria evolução, e quando a barreira pareceu alta demais talvez seja a hora de pegar distância para o pulo. Eu sinto que vai dar certo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Porta.

Eu nem lembro mais a quanto tempo está aberta, ela sempre esteve assim e eu não me incomodei de fechar. Eu também sempre estive aqui, falando com quem quisesse ouvir, recebendo quem quisesse entrar. Os mistérios sobre mim organizados sobre a mesa, minhas inseguranças escancaradas, meus desejos mais internos e minhas falas complicadas. O livro não estava aberto, mas estava escrito em linguagem fácil e colorido, pra quem se desse ao trabalho de folhear. E se o desenho na capa não é tão bonito, o conteúdo é simples de relacionar. Nunca me senti confortável em obrigar, convites parecem mais justos, quem tiver interesse em ficar, será bem recebido sem custo. Mas a porta aberta traz uma consequência, que nenhuma ciência há de explicar, que quando a estadia não agrada a porta está aberta pra quem não quiser ficar. E assim, me faço período, percurso, momento na vida do outro. Do meu canto um esforço gigante em me fazer relevante. Pois se a passagem por aqui valer a pena, ela traz volta, até que chegue então a hora de eu me levantar e trancar a porta pelo lado de fora.