terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Renato foi fazer Stand-Up. (Parte 2)

Antes de mais nada, leia a parte 1.

Renato preparou seu melhor texto com seus assuntos preferidos. Ele começou:
"Eu sempre me sinto meio desconfortável quando passo perto de freiras. Além daquela roupa no calor de 40º graus, elas estão sempre de cara fechada! Apesar que quem não estaria de mau humor suando pra caramba naquelas roupas, e sem perder a postura! (risadinhas no fundo) Além disso, elas sempre parecem te reprovar por tudo o que você faz. Você está sentado no ônibus? Ah, você poderia ceder seu lugar pra alguém que precisa. Você está andando por aí? Ah, você poderia estar fazendo trabalhos voluntários na sua comunidade. Você está dirigindo? Ah, você poderia estar distribuindo comida aos pobres. Você está assistindo Globo Esporte? Ah, você poderia estar na igreja rezando. Taí outra coisa que não entendo: os padres são homens, não são? Como eles conseguem celebrar missas no horário da Fórmula 1? (risadas altas no fundo da platéia) Eu mesmo só como minha namorada antes ou depois da Fórmula 1! Porquê a Fórmula 1 é tipo minha segunda religião, sabe? É Deus no céu e Ross Brawn na terra. Não preciso nem dizer que o Galvão Bueno é o demônio, né? (um cochicho começa no meio da platéia) Se o Galvão Bueno fosse um pastor evangélico, o Brasil não conseguiria sobreviver. Não basta estragar com a Copa do Mundo e a Fórmula 1, tem que estragar com Deus também? (o cochicho aumenta e pessoas começam a ir embora. Renato volta ao assunto anterior pra tentar reconquistar seu público). Voltando agora às freiras. Eu tenho na minha cabeça que um convento é um lugar feliz onde as freiras passam o dia inteiro cantando Oh Happy Day à capela enquanto fazem sopões para distribuir aos pobres. Elas rezam também entre um Oh Happy Day e outro, sem dúvida. Mas sempre num clima alegre. E tem pessoas que falam que vida de freira é sofrida... Mesmo porque ninguém pode ser tão triste quando se veste de Batman 24 horas por dia. Eu mesmo quando era pequeno sempre quis ter uma fantasia do Batman..."
Foi quando o sujeito que o convidou a se apresentar o interrompe, tira o microfone de sua mão e fala "Esse foi Renato, irmãs! Palmas para ele! Agora convidamos a entrar nosso segundo convidado da noite: Jorge Samuel do Zorra Total!". Ninguém tinha avisado o Renato que teriam o Convento das Carmelitas no teatro aquela noite. As luzes o impediram de ver a platéia. Estava tão concentrado em sua apresentação que não viu seu amigo nas laterais do palco fazendo sinal para que mudasse de assunto. As freiras já estavam na bilheteria pedindo o dinheiro de volta e ameaçando processar a companhia de comédia. A carreira de Renato tinha acabado.