terça-feira, 27 de abril de 2010

Sobre Botar Fé e Outros Casos

As pessoas nunca botaram fé em mim. Não é algo de agora não, é algo que sempre aconteceu. As pessoas nunca acreditaram muito no meu potencial. O mais estranho é eu ter demorado até aqui, no meio dos meus 20 anos, pra perceber isso. Acho que eu sempre preferi acreditar em justificativas menos ofensivas, como pensar que era só porque não me conheciam direito, ou talvez o que eu estava me propondo era realmente grande demais.
Na minha vida de estudante (ensino médio, matemática e agora publicidade), sempre fui um dos melhores alunos (diferente de ser um dos mais aplicados) e ainda assim foram pouquíssimas vezes que alguém realmente me levou a sério. Se eu tiver uma lista de 5 professores que acreditavam em mim em toda minha vida, já seria muito. Minha coordenadora duvidava que eu passaria no vestibular pra Matemática enquanto já estava pensando no vestibular pra Publicidade do ano seguinte. Nunca duvidei de nenhum dos dois. Minha mãe me obrigou a fazer cursinho por seis meses (uma das maiores enganações ever, dormia de manhã no cursinho e de tarde na faculdade). Eu acreditava que eu era capaz e não entendia muito bem porque ninguém mais acreditava.
Também passei a vida inteira fugindo de cargos de importância. Meus amigos me indicavam pra uma coisa ou outra, e eu, sabendo que eu acabaria me envolvendo demais, declinava (existe esse verbo no português?). Até que chegando na faculdade eu me candidatei a Presidente da Comissão de Formatura. Meus pais riram quando eu os contei que tinha sido eleito. Sério. E não foi uma conversa informal, inclusive contei pra eles em momentos separados, e os dois riram em situações separadas. Até que veio nosso primeiro evento. E as pessoas gostaram. E o segundo evento, e as pessoas começaram a nos olhar melhor. Até o terceiro evento, quando elas realmente começaram a acreditar na gente. Ninguém nunca tinha feito algo dar certo por lá e a gente precisou de TRÊS eventos ótimos pra que COMEÇASSEM a acreditar na gente.
Eu conheci pessoas legais que me ajudaram muito nessa vida e sempre me dispus a ajudar quem eu conhecia também. Uma dessas coisas foi minha vida nos Rocks Goianos. Conheci gente que organizava show, gente que trabalhava em estúdio, gente que conhecia gente e gente que estava disposta a ajudar. Em todas as bandas que eu tive, elas só não deram certo porquw um ou mais integrantes dela não acreditavam que aquilo poderia dar certo. E não adiantava nada correr atrás de gravação, de show pra tocar, de divulgação se dois meses depois alguém ia pular fora.
E assim foi quando fui tirar um professor, fui comprar um videogame, fui fazer uma prova, fui tirar carteira de motorista, fui fazer amigos, fui consertar um computador e mais mil outras coisas que não pareciam nada impossível pra mim, mas que pra todo mundo era só um sonho na minha cabeça. Não lido muito bem com o fracasso (acho que já falei disso aqui em algum outro texto), por isso faço tudo para que as coisas dêem certo. Faço mil planos e me envolvo demais em cada um deles. Mas eu me envolvo, porque acredito que todos eles podem dar certo se eu tiver ânimo e tiver a ajuda dos que estão em minha volta. Só não queria ter que provar pra todo mundo que eu sou capaz pra cada coisa nova que eu tiver que fazer.