sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sobre o Risosponto.


Essa semana, uma semana cheia de assuntos polêmicos, fúteis ou não, revoluções e guerras virtuais, pela primeira vez em um ano e alguma coisa, eu tive saudades do Risosponto.
O Risosponto, para quem não conheceu, era um blog meu com o (atualmente) Pedro Ascar e o Gabriel Mota, editores do site OH!FUCKMusic. A premissa era basicamente analisar o que estava acontecendo na mídia e na sociedade com humor e com uma linguagem facilitada, atingindo um público ali no início da sua adolescência, público este que herdamos de uma série de vídeos que Pedro Ascar (em sua encarnação Pedro Vítor, antes de ser Pedro Carvalho) fez com seu primo e chegou a fazer um sucesso bacana no YouTube.
Cada autor tinha seu estilo bem característico e o que mais me marcava e o que eu mais prezava quando eu ia escrever um texto pro Risosponto é que eu tentava sempre passar uma mensagem. Às vezes uma mensagem ideológica, as vezes ensinando mesmo alguns conceitos ou tentando mostrar o outro lado de alguma coisa. O que eu pensava era, por mais que eu não pudesse influenciar milhares, eu poderia levar uma ou duas pessoas a refletirem sobre o assunto e aquilo pra mim já era o suficiente. Não por acaso tratei sobre assuntos mais pesados e consegui (talvez só na minha cabeça também) atingir um público mais velho e mais maduro.
A repercussão foi massa, conheci muita gente legal, tive fãs (olha isso mano), tive leitores (olha isso mano) e até alguns amigos liam meus textos. Foi legal. Até que em algum momento eu perdi o tesão naquilo. Os textos estavam caindo de qualidade, cada vez mais aquilo deixava de ser uma diversão pra mim e virava uma obrigação. Um saco ter que procurar algo pra escrever a cada dez dias (porra, tempo pra caralho pra achar algo pra escrever) e eu larguei. O PV e o Glabo sempre foram muito mais próximos entre si do que de mim, sem dúvida. Gostos parecidos, programas parecidos. Quando saí deixei bem claro que se eles quisessem continuar sem mim eu não teria problemas, mas eles já estavam em outra vibe. Era hora de amadurecer mesmo, continuar com aquilo não ia levar ninguém a lugar nenhum, principalmente nessa Era de piadas traduzidas e imagens compartilhadas em que vivemos. Ninguém quer entrar num blog de "Humor" (não sei como nenhum blog roubou nosso nome ainda) e se deparar com um puta texto imenso sobre o Senado. I let it go and they did it too.
Mas porra! Olha essa última semana! Estupro no BBB, Luiza no Canadá, Sopa, Pipa e a (so called) Terceira Guerra Mundial (online). São 4 pautas sensacionais para textos do Risosponto. Quatro assuntos amplamente discutidos (e amplamente procurados nos sites de busca). Quatro assuntos que poderiam gerar grandes reflexões, que poderia ensinar algo pra alguém, que poderia mostrar um lado disso tudo que não está tão claro. Essa semana cogitei voltar com o Risosponto. Chamar eles de volta ou recrutar uma nova equipe. Eles não voltariam, página virada total, e eu conheço meus amigos, ninguém ali animaria de tocar o site por mais de dois meses. Mas eu queria, porra! Queria poder falar com aquele público de novo, queria sentir que eu estou fazendo algo pra sociedade, nem que seja o mínimo do mínimo.
Você pode dizer: "Ah, mas você ainda tem O Cowboy, pode escrever aqui". Não é a mesma coisa. Primeiro porque são poucas as pessoas que lêem aqui, e ninguém realmente entra aqui pra ver se tem algo novo. Vejo esse blog como se eu fosse um bardo recitando poemas na rua. De vez em quando passa um amigo ou um desconhecido, escuta cinco minutos e fala "É, até que é interessante" e então vai embora. É sempre uma surpresa quando alguém me diz conhecer esse blog, sempre.
Outro problema é que não me sinto muito a vontade de falar de mim aqui. Por mais incoerente que seja, por ser um blog íntimo demais (e frequentado por pessoas íntimas demais), eu evito falar coisas muito pessoais. A maioria dos meus textos são vazios de significados íntimos porque eu simplesmente não "aprovo o texto" quando percebo que estou falando demais sobre mim e sobre o que eu penso. No Risosponto eu não tinha essa preocupação, era uma público genérico que não estava do meu lado todos os dias. Estranho como é muito mais fácil se abrir com alguém que não tem idéia de quem você seja do que com alguém que realmente vai se importar com aquela situação.
Qual a solução que eu encontro? Às vezes eu começo a falar sobre um assunto no twitter, e falo por 15, 20 tweets, mas tudo parece efêmero demais. Parece que ninguém vai ler e quem ler vai passar batido entre piadas e trending topics. Tenho uma porrada de seguidores, mas nunca consigo mais de duas respostas pra uma pergunta qualquer que eu faço. É tudo muito passageiro. Nada fica ali realmente, a mensagem não chega, ninguém reflete nada. No Risosponto sempre tinha alguém que ficou pra trás e foi ler (e comentar) um texto três meses depois. A mensagem estava ali e chegava eventualmente. Sinto falta disso. Hoje a mensagem vai embora. Me falta uma plataforma mais fixa e acessada. Envio a mensagem mas ela some no tempo antes de atingir o alvo. E cara, essa semana eu tinha muito a dizer. Essa semana eu tive saudades do Risosponto.

6 comentários:

  1. VAI CHORAR, VAI CHORAR, VAI CHORAR [LOOPING]

    Vi você comentando mais cedo que ia escrever sobre o Risos.. (sempre adorei burlar as regras ortográficas e postar duas pontuações juntas) e comecei a ler alguns velhos textos do nosso blog. Não chorei mas deu saudade. Às vezes dá vontade de chutar tudo e meter o pau nessas coisas que acontecem na mídia. Acredite, tenho pelo menos umas 7 laudas na cabeça sobre Luiza e BBB, mas falta tempo, ânimo e inspiração pra começar textos assim. A gente cresce, não tô com saco mais pro humor que escrevia pro Risos.. Sem contar os novos projetos e vida pós-faculdade.

    Isso é um comentário ou um texto??


    Enfim, continuando...


    Um dos comentários no nosso último texto pro Risos. sempre me chamou a atenção. Vou reproduzi-lo aqui:
    "...eu ia ler os blogs de vocês, mas não tive coragem. eu não gosto de vocês separados.
    de mês em mês vou voltar aqui. talvez vocês decidam se casar de novo."
    Ok, casar é meio drástico até porque casamento gay só foi possível agora e a gente teria que viver a 3, mas é meio surreal até hoje ler coisas assim, saber que jovens nos liam. Somos melhor que as provas do ENEM, cara, jovens nos liam. JO-VENS! NOS LIAM, reitero.

    E relaxa, Tosca. A gente cresce e se SOPA permitir, Risos. continuará sempre na internet!

    Despedida dramática: http://www.youtube.com/watch?v=u54k6ByXtHw

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  2. Com certeza o Risos. não deixa saudades só em você. Eu e meus amigos éramos tão viciados que até chegamos a mandar uma foto/montagem que foi parar no Orkut do blog. Quando não estávamos mandando textos via msn, estávamos acessando o blog escondidos na aula de informática. Falávamos tanto as gírias do Risos. que uma hora a turma toda já estava falando. Foi uma época legal e agradeço por terem mantido o blog de pé o tempo necessário pra trazer diversão pra gente. Sucesso pra cada um de vocês!

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  3. Cara, o saudosismo bateu? Ah, eu amava ler o Risosponto, eu só não tinha era tempo pra comentar. E carai, mete o pé, vai lá e convoca uma galera pra abrir essa porra! Aposto que um monte de gente vai querer ler!
    Ah, e vc se esqueceu(ou escreveu o texto antes) do bapho da Julia Bueno...kkkkk...da suruba!
    Que cada um siga o caminho que quiser. Pra gente é ótimo!Assim teremos mais coisas pra ler!
    beijim

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  4. Ah, só pra constar...aqui é a Andréa, mãe das Bonach!
    beijim

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  5. "um bardo recitando poemas na rua"
    http://omenestrelmudo.blogspot.com/

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  6. Ai cara que dor no coração [/drama] hahaha Saudades de vocês juntos mesmo, lembro de mim com a Carol tristonhas por causa da nossa vida sem Risos.

    Mas Risos. vem e Risos. vão... -n hahah

    Sinto saudades demaiss

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