quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Períodos.


Gosto de cigarro, taça de vinho
Entro no carro, coloco o cinto
Guiando você pelo meu caminho
Sua coxa é quente, sinto e deslizo
Intenção pulsante, objetivo sombrio
Você cheira a álcool e suor frio
Então me provoca a cada sorriso
Puxa com força, seu beijo é um tiro
Me tira do sério, queima o pavio
Não me aguento, paro no meio fio.
Te coloco no colo, 'cê pede, eu tiro,
Nossos corpos se encostam, embaça o vidro
Momento de êxtase, em pensamento anuncio:
Menos uma noite sozinho.

O interfone toca, o porteiro anuncia
Te recebo na porta, "você está linda"
Você me pergunta se pedi comida
Que tem pouco tempo, está de saída
Só veio me ver, bagunçar minha vida
Os copos e pratos acumulam na pia
Me joga no sofá, você vem por cima
Sua bolsa no chão, seu celular vibra
A gente ignora, seu chefe te liga
O suor se mistura, o ritmo sincroniza
Os corpos contraem em perfeita sintonia
Você se levanta, recolhe sua calcinha
Com um beijo no rosto sinaliza a saída.
Mais uma tarde sozinha.

Observo seu rosto, respiração lenta
Você sonha com algo, expressão serena
Vira de lado, numa ação desatenta
Te abraço apertado, me desorienta
Me abraça de volta, quase por pena
Sol invade a janela, ilumina a cena
Fotografia perfeita, coisa de cinema
Apresentação única, você é o tema
Seus olhos se abrem, minha tensão aumenta
"Bom dia, bebê", ela diz sonolenta
"Volta a dormir, já cancelei sua agenda"
Outro sorriso, meu coração não aguenta
Minha mão desliza nas costas e desenha
Um dia como esse não precisa de legenda
Volto pra lugares que minha mente frequenta
Primeira manhã e o fim do poema.