domingo, 26 de junho de 2011

Versões.

Há alguns meses me falaram que eu tinha que mudar e eu não levei a sério. Falavam coisas sobre comportamento diferentes em diferentes situações e eu argumentando que eu era um só a todo momento, apesar de todos acreditarem que cada "aquele" que eu era, era um personagem montado "praquela" situação. Consegui mostrar que aquele era eu mesmo e estava em todas as situações. Sou a mesma pessoa na internet, na faculdade, no bar e em casa. Faço as mesmas brincadeiras e piadas (constrangedoras ou não) em ambientes familiares ou no meio de amigos. Essa constância já me colocou em situações ruins mas acabei optando por mantê-la, pois sua falta de mutabilidade também faz parte do personagem. Mas refletindo sobre tudo isso, acabei encontrando sim minha outra personalidade. Uma personalidade que não anula ou contradiz a primeira, mas é diferente em quase todos os aspectos. Descobri em mim alguém que não está na defensiva sempre, alguém aberto a falar sobre si e sobre coisas importantes para mim, alguém que só aparec(ia)e em raros momentos de confiança e intimidade para pouquíssimas pessoas. Alguém que meus amigos já conheciam mas que se esconde pro grande público. As pessoas não sabem lidar com informações e inconscientemente escondi informações sobre mim. Hoje vejo (ou pelo menos justifico pra mim) que tudo isso foi e ainda é válido. Não posso abrir a guarda pra qualquer um, não posso prever como essa pessoa vai lidar com informações que são tão importantes para mim. E no final de tudo, eu mudei. Em um processo natural que aconteceu nos últimos meses, comecei a encarar as pessoas e os acontecimentos de uma forma diferente, é tudo mais pesado mas ao mesmo tempo tudo parece ter uma importância maior. Um pouco como a diferença entre tomar um soco de um desconhecido comparado com um tapa de alguém que importa para você. O segundo machuca muito mais a longo prazo. Consigo apontar umas quatro versões de mim nos últimos meses, e não me espantaria se daqui a alguns meses eu tenha virado uma sexta ou sétima versão de mim mesmo. E cada vez mais sou obrigado a deixar pra trás coisas que eu acreditava, que eu era e que fazia parte de mim, para adicionar novas coisas. Ciclo de pessoas, ciclo de lugares, ciclo de crenças. Acho que o importante no final é nunca deixar de ser eu mesmo, mesmo que "eu mesmo" mude sempre.