terça-feira, 28 de junho de 2011

Todas vocês por cada um de vocês (por mim).

E ela ficava horas no seu computador escrevendo poemas sensíveis, reflexões profundas, coisas importantes sobre ela e sobre quem estava a sua volta. Atualizava seu blog diariamente com citações de filmes europeus, clipes de bandas inglesas ou vestuários que estavam usando na Itália. Era aquela a forma que ela escolheu pra se descrever ao mundo, era daquele jeito que ela queria ser vista. Pessoalmente ela era calada, se vestia esquisito que combinava com o cabelo esquisito e fumava um cigarro de cheiro esquisito, muito mais por escolha estilística do que por gostar realmente daquilo tudo. Tinha grandes fãs por aí e carregava aquele ar intocável, onde todos se sentiam amedrontados para oferecer uma cerveja ou puxar assunto casualmente. Ela postava fotos de gente esquisita como ela, que provavelmente vive em algum país europeu. Velhas divas do cinema em seu auge, pin-ups, James Dean, Marlon Brando e Paul Newman. Frases descontextualizadas e ilustradas com um ar de blasé para passar o quanto cada um sofre por amor mas ela é melhor que tudo isso. Sofre calada na frase dos outros que são grandes frasistas. E pra suas próprias frases ela reserva o mistério e a ambiguidade de quem quer se abrir só pra quem a entende, no fim não se abrindo pra ninguém. Suas amigas seguem o mesmo estilo, clube fechado de piadas internas sempre andando com o cara errado que, por acaso, nunca é vocês. Uma cerveja alemã impronunciável entre um galão de vinho vagabundo e outro, as vezes até algo mais pesado. Tudo isso entre poemas infantis, reflexões sem nexo e coisas que ninguém se importa sobre ela e sobre quem estava a sua volta escritos por horas em seu computador. Você a conhece, provavelmente já até gostou dela, essa imbecil que habita sua timeline.