quinta-feira, 29 de abril de 2010

Assunto Sério Sobre Star Wars.

SE VOCÊ NÃO ASSISTIU TODA A SAGA STAR WARS, NÃO LEIA ESSE TEXTO, CONTÉM SPOILERS MALDITOS.

Estava refletindo com minha namorada sobre qual seria a ordem certa de se assistir os 6 filmes de Star Wars. Essa conversa começou quando eu percebi que alguns fatos importantíssimos que acontecem nos três primeiros filmes (mas que cronologicamente acontecem depois), são revelados muito antes para quem assistiu os filmes na ordem "certa" (I, II, III, IV, V e VI). Vou me ater a algo bem simples e direto aqui para exemplificar o que estou dizendo: no final do Episódio Três nós sabemos que Anakin, já como Vader, tem dois filhos gêmeos: o menino é mandado pra crescer com os tios em Tatooine e a menina fica com o Senador Bail Organa, para que ambos crescessem longe da influência dos Siths. O problema é que ao assistirmos o Episódio IV, e encontramos Luke e Leia já crescidinhose lutando com os Rebeldes, já sabemos duas coisas: quem é o pai perdido do Luke e que os dois gracinha são irmãos. Coisas que só vão ser reveladas no fim do Episódio V e começo do VI! Vocês viram? O final do III acaba com o mistério principal do filme e pior, quando você encara Luke e Leia quase tendo um affair você pensa "PUTA QUE ME PARIU, O QUE O GEORGE LUCAS TINHA NA CABEÇA QUANDO ESCREVEU ISSO?", já que quando você só ficava sabendo que eles eram irmão mais tarde, você já tinha esquecido que eles quase se pegaram porque ela já tá dando moral pro Han Solo. Então, ficou decidido que pra você aproveitar 100% a sextologia, você deve ver os três primeiros filmes que foram feitos (Episódios IV, V e VI) pra depois ver o que aconteceu antes disso tudo (nos Episódios I, II e III).

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sobre Botar Fé e Outros Casos

As pessoas nunca botaram fé em mim. Não é algo de agora não, é algo que sempre aconteceu. As pessoas nunca acreditaram muito no meu potencial. O mais estranho é eu ter demorado até aqui, no meio dos meus 20 anos, pra perceber isso. Acho que eu sempre preferi acreditar em justificativas menos ofensivas, como pensar que era só porque não me conheciam direito, ou talvez o que eu estava me propondo era realmente grande demais.
Na minha vida de estudante (ensino médio, matemática e agora publicidade), sempre fui um dos melhores alunos (diferente de ser um dos mais aplicados) e ainda assim foram pouquíssimas vezes que alguém realmente me levou a sério. Se eu tiver uma lista de 5 professores que acreditavam em mim em toda minha vida, já seria muito. Minha coordenadora duvidava que eu passaria no vestibular pra Matemática enquanto já estava pensando no vestibular pra Publicidade do ano seguinte. Nunca duvidei de nenhum dos dois. Minha mãe me obrigou a fazer cursinho por seis meses (uma das maiores enganações ever, dormia de manhã no cursinho e de tarde na faculdade). Eu acreditava que eu era capaz e não entendia muito bem porque ninguém mais acreditava.
Também passei a vida inteira fugindo de cargos de importância. Meus amigos me indicavam pra uma coisa ou outra, e eu, sabendo que eu acabaria me envolvendo demais, declinava (existe esse verbo no português?). Até que chegando na faculdade eu me candidatei a Presidente da Comissão de Formatura. Meus pais riram quando eu os contei que tinha sido eleito. Sério. E não foi uma conversa informal, inclusive contei pra eles em momentos separados, e os dois riram em situações separadas. Até que veio nosso primeiro evento. E as pessoas gostaram. E o segundo evento, e as pessoas começaram a nos olhar melhor. Até o terceiro evento, quando elas realmente começaram a acreditar na gente. Ninguém nunca tinha feito algo dar certo por lá e a gente precisou de TRÊS eventos ótimos pra que COMEÇASSEM a acreditar na gente.
Eu conheci pessoas legais que me ajudaram muito nessa vida e sempre me dispus a ajudar quem eu conhecia também. Uma dessas coisas foi minha vida nos Rocks Goianos. Conheci gente que organizava show, gente que trabalhava em estúdio, gente que conhecia gente e gente que estava disposta a ajudar. Em todas as bandas que eu tive, elas só não deram certo porquw um ou mais integrantes dela não acreditavam que aquilo poderia dar certo. E não adiantava nada correr atrás de gravação, de show pra tocar, de divulgação se dois meses depois alguém ia pular fora.
E assim foi quando fui tirar um professor, fui comprar um videogame, fui fazer uma prova, fui tirar carteira de motorista, fui fazer amigos, fui consertar um computador e mais mil outras coisas que não pareciam nada impossível pra mim, mas que pra todo mundo era só um sonho na minha cabeça. Não lido muito bem com o fracasso (acho que já falei disso aqui em algum outro texto), por isso faço tudo para que as coisas dêem certo. Faço mil planos e me envolvo demais em cada um deles. Mas eu me envolvo, porque acredito que todos eles podem dar certo se eu tiver ânimo e tiver a ajuda dos que estão em minha volta. Só não queria ter que provar pra todo mundo que eu sou capaz pra cada coisa nova que eu tiver que fazer.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Filme

Ele sentou pra ver o filme, mas o filme parecia igual a todos os outros. Os atores realmente eram os mesmos e a história era aquela mesma de sempre. Ele queria aguentar, porque ele sempre tinha a esperança de que o final seria diferente e valeria por aquelas duas horas perdidas. Um copo de refrigerante e um balde de pipoca ajudavam a não pensar em nada durante o filme que a cada cena se tornava mais parecido com todos os outros. Seus problemas no trabalho, com sua família e com seus amigos não eram prioridade, tudo o que ele queria era que o filme acabasse e que, dessa vez, o final fosse outro, aquele que valeria pelo filme inteiro. Pausa pra ir ao banheiro. Enquanto o microondas estoura mais um pacote de pipoca, ele reflete se continua a assistir ao filme ou desiste de vez. Voltou pro sofá, o final daquele seria diferente e valeria a pena. Chegou em um ponto em que ele já conseguia prever as próximas cenas e até as piadas inseridas nos diálogos. Continuar a assistir seria burrice, mas a esperança falou mais alto. Esse teria o final que diferenciaria de todos os outros filmes. A pipoca acabou novamente, o refrigerante acabou e o filme caminhava pro final, considerando a movimentação conhecida dos personagens principais. Eles se declaram um para outro, tem uma grande festa onde todo o elenco do filme é convidado e acabou. Ele respira fundo e delisga a tv enquanto recolhe o resto de comida do sofá. O final era o mesmo mas ele já sabia. Só não queria aceitar. Semana que vem ele tentaria de novo. Iria a locadora e alugaria um filme qualquer. Ficaria horas encarando a moça que trabalhava lá, ensaiando diálogos imaginários para na hora de pagar engasgar e responder o de sempre. Aí assistiria o filme na esperança de que, na próxima vez que for na locadora, consiga dizer o que sente por ela, talvez até convidá-la pra sair. Mas no fundo, ele sabe que ele não vai conseguir, vai engasgar ou comentar alguma coisa estúpida sobre o tempo. Ele podia assistir o filme quantas vezes quiser, mas o final seria sempre o mesmo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Grande Demais Para a Caixa

Era grande demais pra guardar na caixa mas acreditava que todos reclamariam se ficasse ali jogado no quarto. Aí ela deixava na caixa mesmo, com a tampa entreaberta, a parte de cima pra fora. Assim estava guardado e ao mesmo tempo ela poderia olhar sempre que tivesse vontade. Mas não era nada prático toda vez que quisesse usar ele, ter que ir lá e tirar da caixa pra depois ter que juntar tudo e colocar na caixa de novo. Isso significa que cada vez menos ela usava e cada menos ela se importava com o objeto dentro da caixa. Aí um dia ela esbarrou na caixa e o objeto caiu no chão, e ficou lá por dias e dias sem que ninguém notasse. Nem ela teria notado se, no terceiro dia ela não tivesse tropeçado nele. "Mas como ele veio parar aí? Será que ninguém o viu?". Então ela notou que ninguém ali se importava e que ela poderia deixá-lo em qualquer lugar, porque ninguém a julgaria por causa disso. PERAÍ, PÁRA O CONTO.

Pensei numa metáfora hiper-foda, até eu perceber que tá parecendo que ela tem um vibrador na caixa. Deixem pra lá, tiau.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Festa

Ela gritava e gritava e gritava mas ninguém ouvia. Ela não estava isolada do mundo, ela só estava no seu quarto enquanto uma festa acontecia no resto da casa. Todos ocupados em conversar, beber e comer e ninguém deu por falta dela. A vontade de estar sozinha e de ter alguém para conversar se combatiam dentro dela. Ela não queria realmente estar sozinha, mas se os presentes naquela festa eram a unica opção que ela tinha, o melhor era se trancar. A música estava alta, os convidados também. Ninguém notaria sua ausência, e ainda assim ela gritava, abafando com o travesseiro para que ninguém fosse a incomodar com perguntas vazias de "Você está bem?". Era o que ela menos precisava naquele momento, um sorriso falso, atenção desatenta. Estúpida idéia aquela de achar que enchendo a casa ela se encheria também, as coisas só pioraram. Os primeiros rostos conhecidos que chegaram foram logo seguidos de mais e mais rostos desconhecidos que já se pegavam no sofá da sala ou jogavam as cinzas pela sacada. Todos se divertiam, com certeza. No outro dia se espalharia na faculdade a notícia da festa sensacional que teve na noite anterior. Quando perguntassem sobre onde ela estava, responderiam que devia estar no quarto com alguém ou saiu pra comprar mais cerveja, versões diferentes para o fato de ninguém realmente saber, muito menos se importar. A festa estava lá pronta, a dona da casa não era tão importante assim. Seu travesseiro já estava encharcado de lágrima e saliva quando ela já não conseguia mais gritar. Até que ela conseguiu dormir. Acordou no outro dia, seu apartamento estava uma bagunça. Alguns copos quebrados, uns enfeites de mesa sumidos, garrafas de cerveja vazias e cinzeiros espalhados por todos os cômodos. Mas ela achou uma coisa que a fez se sentir muito melhor: o silêncio. Ela estava sozinha novamente, mas agora era só ela de pijama em sua varanda, sentindo o cheiro do seu próprio cigarro que subia para o apartamento de cima.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O Pior Professor da Minha Vida

Houve um tempo em que as pessoas usavam seus blogs para contar de suas vidas e desabafar, hoje retomarei um pouco disso.

Já tive muitos professores ruins nessa minha vida, mas nunca nenhum foi tão ruim. A aula de Audiovisual tinha tudo para ser uma aula extremamente maneira onde não só aprenderíamos a mexer com câmeras e roteiros, como também produziríamos nossos próprios curtas e peças publicitárias. Mas o que encontramos foi um professor escroto (que quem sabe seria bipolar se alguma de suas duas personalidades fosse agradável) que não entende nada de tecnologias (e quando eu digo isso, estou me referindo ao fato de ele não conseguir mexer em um aparelho de dvd e levar suas fitas VHS para a aula, ou ser incapaz de ligar um computador, quanto menos editar um vídeo), extremamente grosso e autoritário e praticante da pior das ironias e dos sacarmos (e quando eu digo "pior" eu me refiro a falta de habilidade dele em fazê-los). Você deve estar imaginando que esse professor seja uma daquelas múmias que sobrevivem por anos dando aula nas universidades federais deste país e que se julgam donos da universidade, e você se engana totalmente. Estou falando de um carioca, na faixa dos seus 40 anos, que odeia o fato de dar aula em Goiás e faz questão de apontar todos os erros de falha e estrutura existentes na UFG e na cidade. Não que ele tenha chegado por aqui agora, ele deu aula aqui por muito tempo, saiu para fazer seu mestrado durante 4 anos e voltou agora. Mas o que parece é que ele foi expulso da UFRJ e obrigado a trabalhar aqui por um tempo. Atrasou 40 minutos certo dia por ter pegado o ônibus errado e não conseguiu achar onde pegava o ônibus de volta. Gastou 50 reais num taxi para chegar a faculdade. Reclama das câmeras, da ilha de edição, dos computadores, das salas, do tempo para realizar as coisas, dos alunos, da coordenação, reclama de tudo. Agora você pode pensar também que ele é arrogante desse jeito porque entende demais da matéria mas, eu já citei que ele é um pária tecnológico? Ele não saber mexer com as câmeras, nem com a ilha de edição. Confunde os planos da câmera, não consegue explicar estrutura de roteiro, passa trabalhos que são modificados drasticamente DURANTE a realização dos mesmo, nos manda filmar curtas de roteiros (sem nexo, além da breguice pura e das marcas de ferrugem do grampo e da máquina de escrever) escritos por ele próprio. Em sua primeira aula, ele pediu para que produzíssemos um roteiro para filmarmos no trabalho final. Quando apresentamos o roteiro pra ele, ele deu chilique porque o que ele queria era a adaptação de um conto. Ao escolhermos um conto e mostrarmos pra ele, ele deu um chilique porque o conto tinha que ser do Machado de Assis. Enquanto meu grupo olhava pra ele com cara de "Q", ele pagava mais um sapo interminável sobre como ninguém fazia nada direito. A última aula dada por ele foi a gota d'água. Após ter problemas ao ligar o videocassete (pediu nossa ajuda e eu inocentemente sugeri que ele ligasse o "POWER", funcionou), ele começa a gritar para sentarmos com nossos respectivos grupos. Após todos fazermos o que ele pediu, ele começa a gritar que os grupos devem ficar distantes um dos outros para que ele pudesse diferenciar os grupos (o que era impossível devido ao numero de grupos e o tamanho da sala), assim ele começa a gritar que é pra ficar todo mundo em fila que ele aplicaria uma prova. Enquanto o assistente que estava ajudando com as câmeras, videocassetes e etc, o observava chocado, ele explicava que iria ler um conto e que tinhamos que roteirizá-lo individualmente ao mesmo tempo que ele lia usando todas as definições de um outro texto lá que ensinava a fazer roteiros, tarefa essa impossível, visto que fazíamos tudo a mão. Até chegar a hora que ele diz que é pra entregar na próxima aula, mas isso foi depois de muita enrolação e encheção de saco. Aí ele começou a passar curtas que não deram certo feito por ex-alunos para apontar os defeitos (anti-ético?). E eu desisti e fui embora. Uma hora e meia depois ele libera os alunos, muito depois do que ele tinha que liberar e sem dar intervalos (tenho 4 aulas juntas, com um intervalo entre as duas do meio). Já tive professores grilados, bipolares, que não sabiam como passar o conhecimento para seus alunos, mas esse é o primeiro que além disso tudo, não tem conhecimento nenhum sobre a matéria que está dando.