quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Canto-mudo.


Por que me prender na gaiola
Se meu vôo te assusta
E meu canto incomoda?

Mantém-me perto
Como validação
De quem tem algo raro
De poeira coberto 
no fundo do porão

Que valor fútil
De papel-moeda
Ou lastro equivalente
Gastar minha vida útil
De produtividade em queda
Por ego ascendente

Acende a chama da curiosidade
Entre as barras do meu lar
Se é razão que chega com idade
Ou clarão que não vai chegar

Enquanto isso, escondo o canto
Do meu canto, ensaio vôo
Esperando a chance entanto
De voar ao céu de novo