quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Não é planeta.

As expedições chegaram mais longe do que imaginávamos, mas ainda faltava muito. A viagem, longa como todas as outras, variava entre a monotonia e momentos de extremo cuidado. Mas era essa a missão em que a equipe se inscreveu. Anos de treinamento para chegar cada vez mais longe. Com os planetas mais próximos já colonizados, aos poucos a humanidade alcançava novas regiões do universo em busca de recursos. O esgotamento da Terra foi natural e a evolução da tecnologia não avançou na medida que acreditávamos. A essa altura, já teríamos nos estabelecido em outro sistema. Mas a capacidade energética necessária para se mover de um ponto a outro do universo mostrou-se um desafio.
Os primeiros passos foram mais tranquilos e fáceis de estabelecer, mas as condições ainda estavam distante das ideais. Alcançar esse novo (e talvez último) ponto do sistema era crucial para seguir para a nova terra. A Terra Prometida, como os antigos religiosos acreditavam e convencionou-se chamar, primeiro por escárnio dos não-crentes, depois por necessidade em se apoiar em algo. E os tripulantes responsáveis por explorar essa nova região já sabiam que era um ponto sem retorno. Se não pelas dificuldades seria pelo tempo necessário de um ponto a outro. Uma viagem sem volta, como outros antes deles enfrentaram e sobreviveram. Como outros não tiveram a mesma sorte. Mas com o sentimento de seguir em frente, sempre. É o que cada um precisa, é o que a sociedade precisa.