sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Rostos de Rua.

Aos poucos eu começo a reconhecer os mendigos e pedintes que vejo na rua. Como os amigos de balada em uma cidade tão pequena, os rostos que me pedem dinheiro no sinal não são desconhecidos. Eles não têm nome, nem história. Alguns nem voz tem. Mas são rostos conhecidos a ponto de eu ficar constrangido de dizer pela terceira vez que não tenho dinheiro agora. Simpáticos, uns conversam, agradecem, pedem pra Deus me abençoar, apesar de não acreditar, reconheço e admiro o gesto. Outros só te olham e resmungam como se você tivesse obrigação de ajudá-los: "Olha pra mim, olha meu estado. Você vai ficar aí do alto do seu carro, do seu tênis importado e não quer nem me dar umas moedas? Que não vão fazer diferença alguma pra você". Pessoas que por acaso do destino ou desistência, simplesmente perderam a razão e a esperança de um mundo melhor. Se aceitaram como parte externa a sociedade. A máquina urbana precisa deles como precisa dos cachorros de rua com que dividem sua comida. Eles não ajudam então escolhem por não atrapalhar. Contando com a solidariedade de uma sociedade que convive cada vez mais com a culpa da desigualdade social. O sistema os colocou ali, não fui eu. Mas o que eu poderia ter feito? Por desencargo de consciência, eu despejo 35 centavos nas mãos sujas de um senhor que pode ter 30 ou 60 anos. Nunca saberei, pois me sobra pressa e me falta interesse.