segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Querido Diário, (2)

Hoje ele não falou comigo. Na verdade, ele nem me viu. Passou do meu lado, sentou na minha frente, mas nem olhou na minha cara. Não sei o que pensar. Eu ia me oferecer pra recolher os trabalhos da sala pra que puxar assunto com ele mas aquela puxa-saco de professor que senta lá na frente se ofereceu antes. Fiquei sentada e calada a aula toda. Não tive coragem de falar nada e na hora de ir embora eu peguei minhas coisas e sai antes de todo mundo com a cabeça baixa. Não sei o que pensar. A Carlinha tinha me avisado, mas ele pareceu tão carinhoso e sincero ontem. Ele deve ter tido um dia ruim.
Não quis ver a novela hoje, tava sem vontade de fazer nada. Minha mãe veio me perguntar o que tinha acontecido mas eu não queria conversar com ela. Nem fiquei vendo tv com meus pais na sala e quase não consegui comer. Tinha vontade de chorar, mas eu aprendi que mulheres não devem chorar. Não sei como eu cheguei a esse ponto. Ele nunca pareceu gostar ou se importar muito comigo, não sei o que eu estava pensando, ele só queria saber do trabalho ontem e quando eu percebi eu já estava nomeando nossos filhos.
Queria ligar pra Carlinha mas ela foi naquele culto esquisito que os pais dela frequentam. E ela só me chamaria de burra mesmo, ia jogar um monte de coisa na minha cara e mostrar que a culpa era minha. Eu sei que a culpa era minha, poxa. Ele mesmo não fez nada. Até estava com outra menina na festa semana passada.
Que droga. Só sobrou você. Tenho vergonha de me abrir pras outras pessoas, todas cheias de julgamentos e opiniões. Você não me julga, só me escuta. Ah, se todo amigo fosse que nem você. Já tá tarde, vou acabar me atrasando pra escola amanhã. Ia ser ruim chegar no meio da aula com todo mundo me olhando. Ah, pelo menos assim ele me olharia de novo. O que eu to falando? Vou dormir, tiau.

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