quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Mosaico.

Já que eu não podia te ter, eu peguei um pedaço de cada pessoa que eu conheço e montei um mosaico de você. Projetei tudo que minha memória guardava, minha visão idealizada, e busquei um sorriso aqui, uma piada ali, um abraço de um e o sexo de outro. Mas nunca era suficiente, tudo ainda era muito pouco. Enquanto o você despedaçado funcionava em situações específicas, me faltava o você inteiro. Pedaços reunidos nunca formam um todo. E quando alguém se afastava, era parte de você que me faltava. Não era você sem seu cabelo, sem o jeito de brigar sorrindo, sem você por inteiro, sem você comigo. E ainda assim, eu tentava. Saia a noite em busca de cada pedaço seu que me faltava. Aquele detalhe que ninguém reparava, mas que era o que diferenciava você do monte de retalho montado na janela do meu quarto. Me entregava a vaga lembrança de você para cada sorriso bobo que inocentemente se achava o foco da minha atenção, mas não, nunca foi nada além de você o que me levava a eles. E assim eu juntei o meu mosaico, com pedaços que de longe vagamente lembrava você, mas de perto eu sabia que não passava de vidro colado numa conjunto disforme da minha obsessão, já que eu não podia te ter.