sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Carteado.

Sento na mesa com minhas fichas já contadas, aposto baixo, sempre aposto pouco. Não tenho medo de perder, não tenho medo de nada. Só preciso garantir meu direito de sair quando eu achar que devo. Compro poucas fichas porque quero poder deixá-las na mesa quando eu achar que a próxima aposta não vale a pena. E ao deixar meu dinheiro e ir embora, vão me chamar de imprudente e louco, mas eu prefiro assim. Aposto baixo, aposto pouco. O dinheiro que me pagam todo mês é o suficiente, não preciso dobrar isso numa mesa para me sentir eficiente. Jogo por que gosto do blefe, da dinâmica, do olhar. Se jogasse por dinheiro, só teria graça quando ganhar.
Mas foi só quando perdi demais, quando abri mão de tudo eu tinha feito, que eu aprendi a jogar direito. Aprendi que não se pode envolver, que não se confia nas cartas. Aprendi que quanto mais sua vida depende disso, mais cedo o jogo te mata. E aprendi a apostar pouco, a apostar nada. A sair da mesa quando eu apostava mais alto que todos e ficar calado quando minha aposta era menor. E assim fui ganhando pequenas quantias, que no todo foram bem significativas. E quando perdia, bem, sempre fui de apostar baixo, então não me fez falta, eu acho. Quem me conhece sabe que não sou louco, sempre aposto baixo, sempre aposto pouco.