terça-feira, 7 de abril de 2009

O Evangelho Segundo Toscano

Velho Testamento - Parte 1

Era uma vez um deus maneiro, que era tão maneiro que o nome dele era Deus mesmo. E ele sempre existiu. Tipo, ele não nasceu nem foi criado nem nada parecido, ele sempre esteve ali, de bobeira, no meio do nada. Depois de muito tempo (que não existia naquela época, então pode ter sido muito tempo ou um instante), nosso amigo Deus, ficou entediado de não fazer nada e resolveu fazer alguma coisa. Como antes não existia nada, ele teve que criar algo a ser feito. Ah, e ele tinha poderes também, todos eles (os poderes), então ele podia fazer o que quiser. Continuando... Ele tava de bobeira e pensou "Pô, to de bobeira, to fazendo nada, acho que é uma boa idéia criar o universo". E Deus criou o Universo. Mais ou menos, né? Não dá pra ele criar um negócio cheio de estrelas, planetas, buracos negros, e essas coisas, sem antes ele decidir o que eram estrelas, planetas, buracos negros e essas coisas. Mas vamos pular a parte burocrática. Ele criou o universo. Depois de um tempo (vamos colocar que ele criou o tempo junto com o Universo) ele percebeu uma coisa que é até meio óbvia, o Universo é chato pra caralho também. O que ele podia fazer agora? Deus, então, escolheu um dos milhões de planetas que tinha feito e decidiu que ia dar uma enfeitada nele, quem sabe ele num fazia o mesmo com os outros planetas depois que terminasse com esse, já que com o tempo passando agora as coisas ficaram mais entediantes ainda, porque o tempo simplesmente não passava. Pegou um planeta, até então uma grande massa amorfa de magma, que girava em torno de uma estrela e começou a dar uma retocada. Pôs uma água aqui, umas plantinhas aqui, uns elementos químicos, uns animais na água, uns fósseis de dinossauros, umas montanhas, uns animais na terra, uns desertos, uns iglus, umas cachoeiras, uns animais voando... Mas foda que o tempo continuava demorando a passar. Pra você ter uma idéia, isso tudo que eu to te contando aqui foi menos de uma semana! Pois é, tudo continuava chato pra caralho. Foi quando Deus, nosso intrépido personagem, teve uma idéia. Pegou um pouco de barro e fez um mini-me dele mesmo, que pelo menos ele teria alguém pra conversar. O mini-me ganhou o nome de Homem. No começo foi tudo de boa, conversaram demais, o Homem puxava assunto sempre, se divertia na floresta encantada, comia os frutos e tals, só que em pouco tempo acabou o assunto, culpa principalmente de Deus que não era muito acostumado a conversar, afinal, ele passou uma semana (sem contar a época que nem se contava o tempo) sem conversar com ninguém, ele nem tinha muita prática. Pra resolver isso, o Homem sugeriu que Deus fizesse um outro mini-me, dessa vez melhorado, pra fazer companhia pra ele. Deus foi lá e fez, já que ele se contentava só em ficar observando os dois, nem curtia muita interação não. Pegou uma costela do Homem e fez uma versão melhorada dele, o qual chamou de Mulher. Aquele esquema, no começo foi divertido ficar observando os dois conversando, se pegando, andando por aí e tals, mas como todo o resto, chega numa hora que você num aguenta mais. É como pagar payperview de BigBrother e assistir o dia inteiro só porque tá pagando, a diferença é que Deus não tinha a opção de mudar de canal. Então, o que Deus fez? Colocou uma árvore no meio do Éden (que é onde eles estavam morando) e falou que eles podiam comer tudo no mundo, menos o fruto daquela árvore lá, se comessem iam ser expulsos do paraíso. Só pra mexer nos desejos dos dois, Homem e Mulher. O que Deus não esperava é que os dois nem ligaram pra tal da árvore. Eles precisavam de um incentivo a mais. Assim Deus colocou uma cobra pra tentar convencer os dois a comer o tal do fruto. E a cobra ficava lá enchendo o saco dos dois, que tinham que comer o fruto, que era o melhor daquele jardinzão e tals, toda hora falando no ouvido dos dois. Um dia que o Homem saiu pra dar uma volta e deixou a Mulher com a cobra lá, a mulher (que devia estar de TPM) grilou e falou: "PUTA QUE PARIU, COBRA ESCROTA, EU COMO A PORRA DA MAÇÃ, COBRA FILHA DA PUTA." Foi lá e deu uma mordida na maçã, só pra cobra calar a boca. A cobra ficou com um sorrisão, sua missão estava cumprida. Enquanto isso do outro lado do Éden, Deus surge pro Homem e tem o seguinte diálogo:

Deus: - Velho.
Homem: - Fala, Deus! Tá sumido! Num apareceu desde que colocou a Árvora Proibida no jardim
Deus: - A casa caiu. A mulher comeu o fruto.
Homem: - Pô, que foda, hein. Mas, eaí, patrão? Tem nada que a gente pode fazer não? (se existisse dinheiro e bolsos na época, o Homem estaria escorregando uma nota de 50 no bolso de Deus)
Deus: - Podemos fazer nada não, regras são regras. Vocês vão ter que ir embora. (Deus dava risadinhas internas por dentro, era a primeira vez que algo tão empolgante acontecia desde que o tempo não era tempo ainda)
Homem: - Pô, fazer o que, né? Tamo indo embora então.
Deus: - Não se preocupe. Tem outros de vocês pelo mundo, procurem eles.
Homem: - Vamos, sim. Brigadão por tudo ae, Deus. Desculpa os vacilos.
Deus: - Quê isso, cara. Você sabe que é parte culpa minha também, né.
Homem: - Brigadão, aí. Vou sentir sua falta.
Deus: - Vai logo, antes que eu comece a chorar aqui.
Homem: - Abraço, cara.
Deus: - Abraço.

E enquanto o Homem se encontrava com a Mulher para juntos irem embora do Jardim do Éden, Deus percebia que não tinha nenhum amigo além daquela cobra maldita.

Leia também as outras partes desse belo conjunto de parábolas:
Parte 2 Parte 3 Parte 4