segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Soneto insone.

A tristeza fica a espreita de qualquer desatento
Esperando atrás da porta pra me pegar de surpresa
E se eu tento disfarçar o que eu sinto por dentro
Ela me destrói como um predador destrói sua presa

Tristeza como lágrima que insiste em não cair
Para crescer em angústia me digerindo aos poucos
Sorriso que disfarça o que tem dentro de mim
Impacto que deixa marcas e dói mais que um soco

O braço estica mas não alcança nada
O pé pisa mas não encontra o chão
O pulmão infla quando o ar acaba

Você segura mas não encontra a mão
E seu grito o travesseiro abafa
O tempo bate mas não o coração