quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Nas montanhas.

Entro como quem entra em um lugar não-reconhecível. Longe de apenas desconhecido, um lugar onde a geometria não segue as regras padrões. Ângulos impossíveis e caminhos improváveis. Assustado com o que meus olhos desentendem, ando sem rumo em busca de uma porta, ponte ou qualquer coisa que simplesmente faça sentido. A solidão ecoa de formas pouco prováveis e o silêncio se mostra mais presente do que nunca. A presença da ausência incomoda, a contradição se manifesta de forma física e dói. Cada passo pede um esforço muito maior do que o previsto, como se a gravidade trabalhasse contra em todas as direções. Nem a textura das paredes meus dedos reconhecem, como se tudo fosse ligeiramente diferente de propósito. A luz bate como na borracha mas o toque sente o aço frio. O corpo pesa mas a necessidade de resposta luta contra. A caminhada continua enquanto a montanha segue. Sem saída, continuo em busca de um mísero sinal de sanidade fora ou dentro de mim.