terça-feira, 29 de setembro de 2015

Cefaleia.

Meu corpo dói como se faltassem forças para o próximo passo. A lua, do alto, sorri como se quem pede desculpas, sem graça por não poder fazer nada. É como se o ar ficasse mais denso de repente e você precisasse do dobro de esforço para se movimentar. Os relaxantes musculares que engulo em copos cheios de água suja pouco fazem efeito no meu sangue acostumado. Sangue esse que falta nas pernas e na cabeça para pensar direito ou mudar de lugar. Sinto como a pancada do mindinho em um móvel qualquer da sala, sendo o mindinho minha cabeça e o móvel o que a vida trouxe. Esqueço como se respira e como se age em público e evito sair de casa para não me expôr ainda mais aos males que essa sociedade nos traz. Quando o telefone toca, me escondo feito um cão assustado e outro dia até imaginei que alguém batia na porta por três horas sem parar. Talvez uma voz familiar chamava meu nome em prantos, mas logo balancei a cabeça e lembrei que aquela voz não poderia estar ali. O maior desafio é compreender o que é real. Por não confiar mais nos meus olhos, tapei as janelas e desliguei as luzes. Tudo é uma sombra da sombra da sombra de algo real, como minha imagem no espelho. É como me vejo. Meus travesseiros mofados de lágrimas e saliva hoje servem para abafar os gritos de quando a dor volta. E ela insiste em voltar pra minha cabeça, sem ser convidada, sem ser querida. A perna falha mais uma vez, alcanço o copo. Esbarro sem querer e derrubo pela janela. A Lua ri mais uma vez.