sábado, 31 de julho de 2010

A Vingança

Ele foi traído e queria vingança. Fazer o mesmo não adiantava, ela tinha que sentir o que ele sentiu e ficar "tudo igual" não era seu objetivo. O sentimento tinha que ser o mesmo. Aquela sensação de perder o chão, de levar uma facada da única pessoa em que confiava virar as costas, ela tinha que perder, assim como ele perdeu, noites em claro imaginando o porquê dele ter feito isso. Chorar até perder o ar ou se desitratar, enquanto gritava no travesseiro para não incomodar os vizinhos. Refletir sobre tudo de bom que eles passaram juntos, tudo jogado no lixo por causa de um simples ato. Um ato que poderia ter sido evitado, conversado. Um ato impulsivo, algo de momento que terá reflexo sobre o futuro dos dois. Mas o que ela tinha feito não tinha perdão. Não tem como voltar atrás, desfazer. Quanto mais ela se dizia arrependida, mais malígna eram seus planos de se vingar. Ele não tinha medo do que os outros iam pensar, até porque não tinha dúvida que lhe dariam razão. Ele decidira: ia tatuar o símbolo do Timão no peito. Só aquilo para competir a altura a traição dela, de aparecer na casa do Marcão com o uniforme do Palmeiras depois do acordo de não manifestar sua preferência em público. Quando se casaram, combinaram de nunca dizer em público para qual time torcem para evitar discórdias, se ela tinha rompido esse primeiro trato, ele já estava preparado para qualquer coisa.

Rádio Cowboy #4

Alô você que estava com saudades do melhor podcast de toda interweb, estamos de volta com a 4ª edição do divertidíssimo Rádio Cowboy! E o convidado de hoje é o amigo Francis Leech, famoso videologger e ex-Réu & Condenad, dê o play aí na sua casa e curta nossos comentários sobre as músicas e artistas mais bacanas do momento (ou não, já que nosso déficit de atenção reina nessa edição).



Segue a lista de música que você vai cantarolar essa semana:
Arctic Monkeys - I Bet You Look Good On The Dance Floor
Forgotten Boys - Just Done
RPM - Rádio Pirata
The Mission - Severina
Valentina - Flashback
Shaggy - It Wasn't Me
Rock Rocket - Puro Amor Em Alto Mar
Foo Fighters - The Pretender
The Pixies - Where Is My Mind

Clique aqui se você quiser baixar e colocar no seu iPobre: Rádio Cowboy #4
Clique aqui e vá até a página de youtube do Francis!
E comentem, seus putos!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Detetive Carlos

Carlos era detetive. Detetive Carlos. Cansado de ser reprovado na prova da OAB, ele decidiu que queria um emprego maneiro. Depois de perceber que pra ser astronauta e piloto de fórmula dependia de muito mais coisas além dele, ele resolveu ser detetive. Convenceu seus pais a alugarem uma salinha em um prédio no centro da cidade, comprou uma escrivaninha, uma luminária, uma lupa e um adesivo escrito "Carlos Almeida - Detetive Particular" para colocar na porta. Anunciou em um jornal de pequena circulação na cidade e colou papéis em alguns postes. Passou as duas primeiras semanas investigando com sua lupa as infiltrações na sala que tinha alugado até chegar a conclusão de que precisava de uma linha telefônica. Telefone instalado, Carlos colocou um novo anúncio no mesmo jornal. No dia que o anúncio saiu, Carlos não saiu do lado do telefone. Ele não tocou. Carlos resolveu comprar uma poltrona para que ao menos pudesse dormir confortavelmente enquanto esperava seu primeiro cliente. Com a poltrona, o telefone e o adesivo na porta, com certeza surgiria algum cliente. E toda terça-feira Carlos colocava seu anúncio no mesmo jornal e passava o resto da semana esperando. Sua salinha já tinha tapete, quadros na parede, algumas esculturas e umas estante cheia de livros de direito penal e de sua coleção do Arthur Conan Doyle, já que seu dinheiro tinha acabado para comprar outros livros que os detetives usam (e ele também não tinha muita certeza de quais livros os detetives liam). Na falta do que fazer, começou a ler seus livros de detetive. Depois passou a ler seus livros de direito penal. Terminando todos, pegou todos seus livros de direito e releu. Refez a prova da OAB, passou e acabou sua carreira de detetive. Seus pais não importaram de sustentar seu escritório durante aqueles seis meses, o Carlinhos sempre foi daquele jeito: dava mil voltas, mas no fim chegava no seu lugar.