quarta-feira, 24 de março de 2010

Pensamentos Avulsos.

Pensamento Avulso nº 22: Não entendo nada de física, mas cheguei a conclusão que a viagem no tempo é impossível já que para isso teríamos que deslocar matéria através do tempo, assim um corpo x no tempo x teria que ir para o tempo y, mas no tempo y não existe um "vácuo" que abrigaria o recém chegado corpo x. Assim a viagem no tempo só funcionaria se conseguíssemos fazer uma troca de matérias entre o tempo y e o tempo x. Quer dizer, sei lá, não dormi direito hoje.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Contrário de um Bolero

Deite do meu lado
E esqueça o seu trabalho
Vamos sair e ir ao cinema

Só olhe para mim
Que a vida é boa assim
Finja que não há problemas

E enquanto a gente curte
Olhando um ao outro
O nosso corpo urge
Que o tempo é muito pouco

E sofre antecipado
O fim desse estado
De união extrema

Esperando o próximo encontro.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Rádio Cowboy #3

Estou aqui mais uma vez pra entregar (esse que é o podcast favorito de 3 a cada 10 leitores desse blog!) a terceira edição da Rádio Cowboy! Nessa edição tenho como convidado Flávio Baleeiro que apesar de não escrever nenhum blog relevante, é um grande amigo e um dos responsáveis pela minha ida ao rock independente há mil anos atrás! Não sei se é pela empolgação de momento mas acho que essa foi a melhor playlist até agora. Ouçam e me diga aí nos comentários.



Tá aí a playlist, amiguinhos!

Cachorro Grande - Você Não Sabe o que Perdeu
Husky Rescue - Summertime Cowboy
The All American Rejects - The Last Song
The Offspring - Hit That
Vanguart - Cachaça
Oasis - Live Forever
Transplants - Dj, Dj
Gogol Bordello - Wonderlust King
Scissor Sisters - Take Your Mama
The Strokes - Heart in a Cage

Clique aqui se você quiser baixar e colocar no seu celular pra você ouvir no ônibus na maior altura: Rádio Cowboy #3

E COMENTA, MULECADA!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Mil tsurus.

Ela estava sentada há mais de cinco horas na beira do lago, pensando se jogava ou não os objetos que foram guardados cuidadosamente nos ultimos dois anos dentro daquela caixa no meio de suas pernas. Garças de papel cuidadosamente feitos. Mil deles pra ser mais exato. Diz a lenda que depois de fazer o milésimo tsuru, um desejo seu se realizaria. Encarando o lago, ela refletia sobre seu desejo. "Qualquer coisa, qualquer coisa!" disse aquele senhor japonês dois anos antes enquanto explicava como montar o origami. Como nada tinha funcionado até aquela hora, ela resolveu tentar. E um por um foi fazendo os pássaros de papel. E a medida que já acumulava centenas, ela foi vendo sua irmã melhorar consideravelmente. Suas pernas já começam a responder a estímulos e seu pulmão estava quase funcionando sozinho. A incerteza se era resultado do esforço dos médicos ou daqueles origamis a fez continuar a sua jornada aos mil tsurus. Sua família não entendia muito bem o porque dela se prender tanto naqueles pássaros de papel, nem ela se esforçava para explicar. O importante é que ela sabia que estava funcionando. Sua irmã parecia bem melhor, apesar de ainda não poder nem se levantar do leito daquele hospital. Porém, como ser humano que era, ela se acomodou. Ao ver sua irmã melhorar, os tsurus não pareciam tão mágicos assim. Soavam mais como uma perda de tempo, enquanto poderia estar ajudando sua irmã a comer ou algo assim. E ela foi deixando de fazer. Faltavam pouco mais de 100, mas eles já estavam esquecidos em uma caixa debaixo de sua cama enquanto ela, mais tranquila com sua irmã, ia retomando aos poucos sua vida. Até que numa noite, os pulmões de sua irmã param de funcionar. Ela é acordada de madrugada apenas para ouvir sua mãe, aos prantos, lhe dizer que a irmã tinha morrido. Desesperada, ela começa a refazer os tsurus na esperança de eles a ajudarem. Antes de amanhecer ela já tinha os 100 tsurus e seu desejo era ter sua irmã de volta. Era tarde demais e ela sabia disso. E seguiram os dois piores dias de sua vida, o velório e enterro de sua irmã. Ela tendo que ouvir de cada parente que não era culpa dela, que essas coisas acontecem. Mas ela sabia que a única a culpar era ela mesma. Algumas semanas depois, um pouco mais calma, ela pegou a caixa e foi para um lago que tinha nas redondezas da cidade. Sentada lá, ela pensava se se livrava ou não dos pássaros presos naquela gaiola de papelão. A culpa era dela. Se ela tivesse feito os origamis a tempo, ou melhor, se não tivesse insistido em dirigir naquela noite dois anos antes, sua irmã ainda estaria viva. Concluía isso enquanto observava seus mil tsuru boiando rumo ao centro do lago.

Correntes.

Escrevi esse texto pro RisosPonto mas acho que seria interessante que vocês lessem também.

Correntes sempre foram um problema. Mas não estou falando das correntes que prendem navios e outros objetos pesados nem daquelas que estão nos pés do prisioneiro naquele filme legal onde o Johnny Depp interpreta um cara excêntrico. Estou falando daquelas mensagens simpáticas, com um fundo de moral que no final, quando você acredita inocentemente que alguém só queria te passar palavras bonitas para você se sentir melhor, você descobre que agora você entrou numa espécie de maldição onde ou algo ruim vai acontecer se você não espalhar a mensagem ou algo de muito bom vai deixar de acontecer se você não espalhar a mensagem.
Antigamente essas mensagens eram passadas em notas de real ou folhetinhos com fotos de santos. Mas era basicamente a mesma coisa: ou você escrevia a mensagem em 600 notas de 1 Real (nem existe mais tal coisa) ou fazia seis mil cópias do folhetinho com o santinho ou você pegava AIDS. Aí lá ia a tia velhinha falar com o sobrinho que trabalha na gráfica pra fazer as cópias ou gastar todo seu dinheiro escrevendo nele a mensagem, afinal, uma senhora respeitosa como ela não pode sair por aí pegando AIDS.
Com o advento da tecnologia, essa praga tornou-se muito mais fácil de ser espalhada. Há uns dez anos atrás, quando todas as pessoas tinham um email mas ninguém sabia direito como usá-lo, esta ferramenta se tornou muito útil no ato de espalhar correntes. E dá-lhe receber aquelas mensagens com mil destinatários, afinal, se o remetente não mandasse a corrente em 10 minutos para trocentas pessoas, muito provavelmente a mãe dele viraria um urso panda e teria que se mudar para um lugar onde haja bambus disponíveis.
O problema dessas correntes não são elas realmente, mas nos dois tipos que elas acabam gerando: o cara que escreve as correntes e o cara que as transmite.
O cara que escreve as correntes se acha o Jim Carrey naquele filme onde ele ganha poderes e faz coisas engraçadas. Ele escreve uma história (ou mensagem) para que a pessoa se comova ao ponto de transmitir a mensagem, porém, não acreditando que seu texto é bom o suficiente para ser divulgado ao boca-a-boca, ele coloca uma espécie de ameaça (ou prêmio em alguns casos) no final. Você espalha a mensagem que eu escrevi e seu amor voltará para você. Ou alguém que te ama muito vai se revelar para você. O cara que escreveu a mensagem não tem poderes mágicos como aquela benzedeira que mora perto da sua casa e, na verdade, nem a benzedeira tem.
O cara que transmite a mensagem (que não necessariamente é um cara, muitas vezes é uma senhorinha velhinha e inocente), realmente acredita naquilo. E acredita a tal ponto que alguns chegam a explicar os problemas da vida com aquela mensagem não passada ("OH NOES! Ninguém se revelou dizendo que me ama hoje! Eu devia ter mandado aquela mensagem para 45 pessoas em menos de duas horas para que isso acontecesse!"). E não satisfeito em se preocupar com o que está escrito na mensagem, ainda distribui a tal maldição para sua lista de contatos. Pensem comigo: o cara para evitar que mil carneiros invadam sua casa, precisa passar a maldição dos mil carneiros para outras pessoas! Grande amigo esse seu, hein? Que para encontrar o grande amor da vida põe em risco o encontro de um grande amor para todos os sujeitos da sua lista de emails.
Enviar correntes pra mim é pedir para ser bloqueado da minha vida. Não o façam, nem que disso dependa a morte de um ente querido (mentira, se você conseguir me provar que realmente depende a vida de um ente querido seu, eu te desbloqueio da minha vida). Mas já que eu sei que vocês tem muitos amigos por aí, vocês terão que passar esse texto para 10 amiguinhos seus nos próximos 10 minutos. Se você fizer isso, o grande amor da sua vida vai se revelar pra você. PORÉM, se não fizer, você vai ficar sem internet durante 10 dias. TRY ME.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pensamentos Avulsos.

Pensamento Avulso nº 21: Ontem tive contato com mais uma das bizarrices do mundo moderno: Suco "Laranja Caseira" Light. Quão light pode ser um suco que promete se aproximar o máximo possível de um suco de verdade? Só podemos concluir que no processo de fabricação desse suco é usado menos laranjas (ou quem sabe menos daqueles gominhos bizarros presentes no tal suco) que o "Laranja Caseira" normal. Ou talvez o "Light" na embalagem seja apenas por questões mercacológicas. O problema é que esse "Laranja Caseira" não se parece em nada com um suco natural de laranja nem tem aquele gostinho de suco de laranja artificial que nos remete a nossa infância. Double #Fail.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Um ciclo vicioso.

De tempos em tempos ele voltava pra casa onde tudo aconteceu. Por mais doloroso que fosse voltar praquele lugar, seus pés o guiavam meio inconsciente para aquela rua. Quando dava por si, parado em frente aquele portão cinza que tantas vezes se abriu para que entrasse, já estava se imaginando andando pelos corredores que hoje estão vazios em uma época onde aquela ocasião nem ao menos esboçava existir. Cada cômodo daquela casa o fazia arrepiar por dentro e ainda assim não conseguia parar de ir lá. Ele via as crianças brincando no quintal, a televisão ligada na sala, sentia o cheiro de comida vindo da cozinha. Mas faltava algo... faltava a realidade. Nada estava realmente lá, a casa estava vazia há anos, desde que tudo aconteceu. Eles preferiram se mudar do que ter que encarar de frente e superar juntos. O tempo passou e eles já esqueceram. Continuaram com suas vidas, por mais doloroso que fosse. Pra ele é muito mais difícil esquecer, afinal, foi com ele que aconteceu. E essa mania de ir parar lá toda vez que se distrai torna a superação impossível. Todos dizem que ele tem que esquecer, o que aconteceu, aconteceu. Dizem que ele tem que aproveitar o lugar em que está e se envolver mais com as pessoas que estão na mesma condição que ele. Mas a culpa não é dele. Ele só vai conseguir superar quando parar de ir lá e só vai parar de ir lá quando conseguir superar. Um ciclo vicioso. Não era tão fácil assim se conformar com a própria morte.