terça-feira, 2 de agosto de 2016

Gatilho.

Qual seu gatilho?
O que te aciona?
O que te faz gritar?
O que te emociona?

Qual é a gota d'água?
Qual é seu limite?
Até onde você vai
Até que sua mente frite?

Quando desmorona
Quando dá errado
Quem é seu apoio?
Quem tá do seu lado?

Um pé e o outro
Um passo por vez
Você se orgulha
De tudo que fez?

Espelho da vida
Reflete seus erros
O que você vê
Nos seus pesadelos?

Respiração funda
Suor desce a testa
Seu olho tremendo
Olhando a fresta

Olha no relógio
É tarde demais
Seus medos se foram
Ficaram pra trás

Só olha pra frente
Não foge do trilho
Escuta lá longe
O dedo no gatilho.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Nudes.

Quando meu celular vibra
minha mão até treme
abrindo mensagem sua
que chegou na minha DM

Empolgado enquanto carrega
Sua selfie de rosto
Que revela só um pouco,
Deixando seu corpo exposto

A intenção é das piores
mexer com minha auto estima
plantar algo na cabeça
Terminar sempre por cima

Lubrificado pelo suor
O dedo desliza sobre a tela
Como quem escorrega sobre a pele
Pousando entre as pernas

E tímido, eu retribuo,
De um ângulo mal tirado
Como sempre inseguro
Enviando meu retrato

A resposta é excitante,
Como um sonho adolescente,
Sentimentos conflitantes
De uma confusa mente

Como sangue, os bits pulsam
Dos dedos para a espinha
Da coluna para a mente
Da sua vida para a minha.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Tormenta*.

Estamos pedindo socorro
na madrugada
a tempestade chega e derruba
a embarcação

Mais de cem dias
navegando em calmaria
Para no fim afundar
Em águas rasas no mar

Escória dos ventos
Marujos sem medo
Enfrentando mil metros
Da raiva de Deus

Seu amor é um risco
Que chega sem aviso
E te leva na onda 
pra uma praia qualquer

O buraco na proa 
leva a tripulação
A morrer no mar

Inunda canoas 
e a comunicação
Da embarcação

Sua lingua é o timão
aponta a direção
Das palavras que saem
E também das que não

Mas um erro te afoga
Quando você menos nota
Vira o casco e afunda
Ou destrói o convés
O barco sente
O mar pressiona seu casco
Então eu vejo o farol
Entre a chuva e o mar


E peço por favor
Pra acertar minhas contas
Mas a manhã me encontra
30 milhas depois


O capitão se mantém
firme com a nau
Em toda situação

Mas a água congela
ao toque da mão
Lutar é em vão

O tempo passa e a história segue
Até tudo sumir
Me acalme e deixe-me provar seu sal
enquanto estou aqui

Eu sou aquele que assombra o sonho
de quem pensa em mim
Eu disse tudo que queria
mas não pude ver o fim

Isso é o que sempre quis
Morrer pra poder ser feliz
No fim você que tem razão
Você é água eu sou pulmão

Chegou o fim.

*Livre tradução de "Play Crack The Sky", por Jesse Lacey.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Cidades.

Apresento-lhe minha plantação de prédios
Onde cultivo pessoas pra não morrer de tédio
Vez ou outra me lembro de pôr água e alimento
De resto, observo eles presos em engarrafamentos.

Chega a ser poética ver a dedicação de cada um
Indo de um lado ao outro, chegando em lugar nenhum

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Cefaleia.

Meu corpo dói como se faltassem forças para o próximo passo. A lua, do alto, sorri como se quem pede desculpas, sem graça por não poder fazer nada. É como se o ar ficasse mais denso de repente e você precisasse do dobro de esforço para se movimentar. Os relaxantes musculares que engulo em copos cheios de água suja pouco fazem efeito no meu sangue acostumado. Sangue esse que falta nas pernas e na cabeça para pensar direito ou mudar de lugar. Sinto como a pancada do mindinho em um móvel qualquer da sala, sendo o mindinho minha cabeça e o móvel o que a vida trouxe. Esqueço como se respira e como se age em público e evito sair de casa para não me expôr ainda mais aos males que essa sociedade nos traz. Quando o telefone toca, me escondo feito um cão assustado e outro dia até imaginei que alguém batia na porta por três horas sem parar. Talvez uma voz familiar chamava meu nome em prantos, mas logo balancei a cabeça e lembrei que aquela voz não poderia estar ali. O maior desafio é compreender o que é real. Por não confiar mais nos meus olhos, tapei as janelas e desliguei as luzes. Tudo é uma sombra da sombra da sombra de algo real, como minha imagem no espelho. É como me vejo. Meus travesseiros mofados de lágrimas e saliva hoje servem para abafar os gritos de quando a dor volta. E ela insiste em voltar pra minha cabeça, sem ser convidada, sem ser querida. A perna falha mais uma vez, alcanço o copo. Esbarro sem querer e derrubo pela janela. A Lua ri mais uma vez.

Bastilha.

Lutamos a batalha dos pobres de paz e opotunidades
Pois até cair o último dos nobres e recuperarmos nossa liberdade
Vamos derrarmar o sangue sagrado sobre a grama que pisamos os pés
E tudo vai terminar quando os reis se curvarem a nós.

Ria enquanto pode, que a felicidade é ilusão para poucos
Que quando a bomba explode, não sobre paz nesse mundo louco.

Eclipse.

Olhei pra cima e esconderam a Lua
Quem agora me trará notícias suas?
Quem vai sorrir quando tudo tiver errado?
E me ajudar quando doer demais o passado.

Faça-me o favor de não se repetir:
É chato falar que preciso de você aqui.
A noite já é difícil demais por si.