quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Roteiro para institucional genérico.

Externa, dia. Imagem em preto e branco, trilha sonora instrumental e dramática no fundo. Close em garoto com síndrome de Down em um balanço rindo (entre 5 e 8 anos, bem vestido). Narração em OFF: "Este é Carlinhos, ele tem síndrome de Down". Câmera vai se afastando até mostrar que ao lado de Carlinhos tem um outro garoto também rindo no balanço ao lado (negro, mal vestido, entre 5 e 8 anos também). "Eduardo mora nas ruas". Câmera fixa nos dois garotos brincando um ao lado do outro. "Carlinhos nasceu livre de preconceitos. Para ele, Eduardo não tem cor, credo ou sexualidade. Eduardo, depois de sofrer vários abusos, ainda tem medo de adultos". Um homem e uma mulher, classe média alta, entram sorrindo e buscam Carlinhos, que se despede feliz do garoto ao seu lado. A câmera ainda fixa mostra o casal e Carlinhos indo embora e o outro garoto ficando sozinho e triste parado no balanço sem ter com quem brincar. "Carlinhos tem síndrome de down, Eduardo não teve tanta sorte". Entra assinatura e logo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um jogo velho contra um velho amigo.


Se você soubesse como está o tabuleiro
Não teria colocado outra peça
Depois de tudo que falamos sobre elas
Você vem e me apronta uma dessas!

Três rainhas não cabem no xadrez
Ainda mais se isso custar um rei
Saudades de quando éramos apenas peões.
Preocupados demais com nossas posições

Fazíamos sonetos sobre andar em "L"
E sobre um dia virarmos torres
Ou fortes bispos gritando "Xeque"

Para chegar aqui neste universo de duas cores
Onde poemas são feitos sem perceber
Com o simples intuito de aparecer

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Esse homem.

Um dia ele simplesmente não acordou. Mas diferente de outras pessoas que morrem ou ficam em coma, o que ele estava experimentando era a sensação constante de estar sonhando. Quando ele primeiro teve consciência, ele se aproveitou ao máximo do poder que tinha. Podia fazer o que quiser, sem medo das consequências. Os sonhos seguiam uma lógica própria, mas ele os manipulava como queria. Com o tempo, ele foi cansando da própria cabeça. Depois de muito vagar sem rumo, um dia se viu em um lugar diferente. Tinha algo acontecendo mas ele não era mais o foco dos acontecimentos, como estava acostumado e também não tinha mais poderes sobre as coisas. Após observar a situação, ele rapidamente conseguiu apontar o dono do sonho. Era uma menina, provavelmente uns 15 anos, que sonhava com um ator famoso que ele já não lembrava mais o nome. Tentou se aproximar para ver o que conversavam, mas de repente o cenário mudou. Uma mesa de bilhar recebia um grupo de amigos. Todos bebiam e conversavam alegremente, o dono do sonho provavelmente era um jovem de uns 25 anos que falava mais alto e jogava melhor do que os outros. Ele pediu uma cerveja e encostou no balcão, observando a situação por algumas horas. Muda o cenário: um quarto onde uma família fofoca sobre outras pessoas. Não sabendo os limites de estar em um sonho externo a sua própria cabeça, tentou sair do quarto, mas em vão. Apenas uma imensidão branca existia fora daquele cômodo. Se encostou na parede e esperou o sonho acabar. Um menino sonha que está montado em um dragão resgatando uma princesa. Uma senhora lava roupas enquanto sua mãe, mais nova que ela, fica repetindo que ela é uma imprestável. Um homem casado sonha que está transando com sua secretária. Um garotinho tem uma longa caminhada com Jesus enquanto conversam sobre as verdades do mundo. Outro homem sonha que ganhou na loteria. Isso continua por anos. Enquanto isso, no mundo real, espalha-se pela internet e pelas ruas do mundo a imagem de um homem, de cara redonda, sombrancelhas grossas e pouco cabelo que muitos afirmam ter visto em seus sonhos. Algumas vezes ele teve papel ativo em seus sonhos, em outras vezes ele estava simplesmente lá. Ninguém sabe explicar quem é ele ou quais são suas intenções, mas teorias começam a surgir em todo lugar. Mal sabem eles que esse homem, sem mais ter o que sonhar, daria tudo pra poder acordar novamente.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Vara de pescar

Assim como um imbecil
Com uma vara de pescar
Arremessando para o rio
Esperando alguém fisgar

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Contos da Revolução Y

Amigos, estou escrevendo um livro (ou o maior conto que eu já escrevi, tudo vai depender do meu ânimo e empolgação). Só para vocês não se sentirem abandonados mesmo. É baseado numa idéia original do Che Sobreira, sobre a Geração Y e os anos de repressão amorosa que sofreram. É muito difícil pra mim escrever e não postar imediatamente, então espero muito que vocês gostem quando eu finalmente chegar a um produto final (ou não aguentar mais e soltar o que eu tiver).

Just letting you know.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Rabiscos.

Sentada no canto da sala observando as pessoas ignorarem o professor. Mas quem era ela pra julgar já que ela estava fazendo o mesmo ao prestar atenção nas pessoas e não na aula? Ela começava a rabisca seu cadernos, pequenas histórias que nunca viriam a público sobre um casal de personagens fofinhos e de olhos grandes que se encontrava e desencontrava no meio de fórmulas químicas ou definições de gramática. A menina era ela mesma, o menino era um aglomerado de personalidade que um dia a trataram mal e, provavelmente por isso, ela amou loucamente. Às vezes ele era mais passivo, fazendo todas as vontades dela, outras vezes ela que sofria na mão do outro personagem.. Tudo dependia do clima da sala, do seu humor ou mesmo da matéria que estava sendo lecionada. Hoje os dois se amavam, mas um muro alto os separava. Ele tenta inutilmente fazer um buraco no muro, ela cavava para tentar passar por baixo, ambos querendo encontrar-se um ao outro.Um terceiro personagem chega e observa os dois, ele chega perto dela, segura sua mão e a guia ao outro lado do mundo, simplesmente dando a volta, juntando assim os dois. Às vezes tudo que se precisa é de um terceiro pra apontar o que está errado. Bate o sinal indicando o fim da aula, ela guarda seus materiais de qualquer jeito e sai da sala sem falar com ninguém.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Todas vocês por cada um de vocês (por mim).

E ela ficava horas no seu computador escrevendo poemas sensíveis, reflexões profundas, coisas importantes sobre ela e sobre quem estava a sua volta. Atualizava seu blog diariamente com citações de filmes europeus, clipes de bandas inglesas ou vestuários que estavam usando na Itália. Era aquela a forma que ela escolheu pra se descrever ao mundo, era daquele jeito que ela queria ser vista. Pessoalmente ela era calada, se vestia esquisito que combinava com o cabelo esquisito e fumava um cigarro de cheiro esquisito, muito mais por escolha estilística do que por gostar realmente daquilo tudo. Tinha grandes fãs por aí e carregava aquele ar intocável, onde todos se sentiam amedrontados para oferecer uma cerveja ou puxar assunto casualmente. Ela postava fotos de gente esquisita como ela, que provavelmente vive em algum país europeu. Velhas divas do cinema em seu auge, pin-ups, James Dean, Marlon Brando e Paul Newman. Frases descontextualizadas e ilustradas com um ar de blasé para passar o quanto cada um sofre por amor mas ela é melhor que tudo isso. Sofre calada na frase dos outros que são grandes frasistas. E pra suas próprias frases ela reserva o mistério e a ambiguidade de quem quer se abrir só pra quem a entende, no fim não se abrindo pra ninguém. Suas amigas seguem o mesmo estilo, clube fechado de piadas internas sempre andando com o cara errado que, por acaso, nunca é vocês. Uma cerveja alemã impronunciável entre um galão de vinho vagabundo e outro, as vezes até algo mais pesado. Tudo isso entre poemas infantis, reflexões sem nexo e coisas que ninguém se importa sobre ela e sobre quem estava a sua volta escritos por horas em seu computador. Você a conhece, provavelmente já até gostou dela, essa imbecil que habita sua timeline.