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quinta-feira, 11 de julho de 2024

Ciclos 2


O ciclo se fecha como a grande ficha
Que cai aos poucos e destrói como meteoro
Olho lá fora, o céu cinzento prevê
Os dias frios que me acompanharão daqui pra frente

Sobreviver é a meta, como foi desde o início
E, se possível, aprender alguma coisa no caminho
Que seja novas formas de não se errar
Raro fato de quem ousou sair

As portas abertas convidam a volta
Como o banco da cela que já esfriou
Outro ano, outro mundo, novas línguas
Como o gosto na garganta que nunca passou

Na meta de preencher, achei um vazio ainda maior
Mas do oco interno me transformo em tela branca
Tentando repetir um sentimento que passou
E descobrindo novos sentir pelo caminho

A ansiedade se põe no canto novamente,
O sentimento de que só ao agora se pertence
Vence a derrota, parabéns aos campeões
Peões que perecem em esquadros eternos

sábado, 13 de janeiro de 2024

Caleidoscópio 6.

Caminho no corredor de espelhos
Ignorando o vermelho dos meus pés 
Piso nos cacos que me atravessam
Tornando a travessia cada vez maior
Mas as cores no fim do túnel iluminam meu rosto
E o gosto de sangue me alimenta de raiva
A dor não alivia, o silêncio não acalma
A alma se cala como quem já foi embora
A hora não passa e meus passos pesam
Rezo pra chegar logo o caleidoscópio no fim.

sexta-feira, 28 de abril de 2023

outro dia.

O problema do silêncio
É que às vezes eu esqueço que existo
E como um terceiro, assisto o fim
Do que eu achei que era início
Busco a textura do agora
A âncora que me traz de volta
E espero minha hora de ir
Acho em meus próprios dedos
O segredo de estar aqui
Abraço meus medos como se eu mesmo
Não visse o rochedo que está por vir

Me acho de novo, na sala vazia
Mais um dia que sobrevivi

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

O livro.

Lhes dei um livro de despedida
Onde eu contava parte da minha vida
Mais especificamente a sua parte
A arte se mostra de formas estranhas

Minhas entranhas em poema métrico
Registro fosco de um olhar de encanto
Pai, filho, espírito santo
Olhando por cima em um salão simétrico

A ótica na forma de um passado recente
A mente viaja pra salões vazios
O riso e o choro com marcas recentes
A coberta quente em um canto frio

Eu busco memórias positivas
Sentado em frustrado presente
Encontra a história e reviva
Depois volte a olhar pra frente

Hoje eu olho distante pro livro
Como ponto final e partida
Não ressinto mais essa vida
Começo de novo o que vivo

Em poema
Ganhei a liberdade
De amar quem vocês
São de verdade

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Pausa pra foto.

Pequenos momentos de alegria
Congelados para sempre em fotografia
Uma risada pega de surpresa
O prato organizado sobre a mesa
Você dorme tão bonito
Custava fazer um sorriso?
Vamos ali que o fundo combina
Junta todo mundo que tá na piscina
Hoje não que tô desarrumada
Posso te mandar uma mais ousada?
Vai lá com sua prima sem reclamar
Sobe ali em cima e finge que vai voar
Só mais uma que você piscou
Eu tava sentando quando o timer disparou
A gente deixa passar tanto coisa, sabe?
Ficamos com tanto medo de que acabe
Que juntamos fotos em gavetas esquecidas
Pastas digitais que guardamos a vida

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Culpa.

Eu esqueço mas não te desculpo
Porque a culpa pode ser um presente
O perdão nos faz imaturos
Mas só cresce mesmo quem se arrepende
Se nossos erros ficam no passado
O errado insiste em se repetir
Mas tente perguntar pro culpado
O que é tentar mas não se redimir
Não são palavras ou compensações
Não é recompensa financeira
A consequência de nossas ações
Podem nos marcar a vida inteira
Esteja preparado para receber um não
Quando pensar em pedir desculpas
Não por rancor ou obstinação
Mas porque dor passa mas cicatriz dura