segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sobre o vazio.

Tem muito vazio no mundo. Outro dia eu tava olhando pro céu e me toquei que não tinha muita coisa praquela direção. Quer dizer, até tem muita coisa mas entre essas muitas coisas tem muito nada separando elas. E tudo é muito longe uma coisa da outra e a gente é tão ridiculamente pequeno numa imensidão de... nada. Sim, tem milhares de outras coisas ridiculamente pequenas mas no todo mesmo é um monte de nada com uma poeira espalhada de um lugar pro outro, mas não estou aqui para falar na pequenez relativa do ser humano. Qual a diferença entre os vazios? Uma mente vazia (como a que inspirou esse texto), um coração vazio (como o que inspirou vários outros textos desse blog), um copo vazio (que estava até meio cheio antes), uma casa vazia (de uma mãe que viu seus filhos crescerem e sair de casa). O vazio existencial e o vazio material andam muito juntos. Um sujeito que não é feliz no emprego, alguém que consome tudo que lhe oferecem. Igualmente vazios, mas de diferentes formas. Mas sendo o vazio a ausência, as ausências não deveriam ser todas iguais? O conceito de "não estar/ser/ter" não deveria ser um só, independente do que você não está, é ou tem? Por exemplo, não podemos dizer que um vazio é maior que o outro, os dois são igualmente vazios ou algum não o é por definição. O vazio é um conceito puramente baseado na não existência de algo e um objeto não pode "não existir" mais do que um outro. Uma cama vazia incomoda, mas um coração vazio incomoda mais. Uma sala vazia te assusta, um prédio vazio te assusta muito mais. Grande bobagem, a gente vive numa dimensão tão vazia de matéria, com idéias tão vazias de ideais, pessoas tão vazias de sentimento, tempo tão vazio de ocupação. Cercado de vazios por todos os lados, acho que já era gente ter se acostumado. Você não precisa estar sozinho para estar solitário.